Campanha ‘Rio Pela Vida’ reúne lideranças pelo combate à Covid-19 no Rio

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RIO — O avanço da Covid-19 em todo o estado do Rio levou líderes de diferentes segmentos sociais a se unirem por ações para conter os impactos da pandemia. Lançada nesta quinta-feira (18), a campanha “Rio pela Vida” vai mobilizar médicos, artistas, cientistas e líderes comunitários, empresariais, políticos e religiosos em uma atuação conjunta pela conscientização da população fluminense contra a propagação do coronavírus.

Uma das integrantes do projeto, a pneumologista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Margareth Dalcolmo ressaltou que o Brasil vive hoje o momento mais grave desde o início da pandemia. Segundo ela, caso toda a sociedade não se comprometa a cumprir as medidas básicas de higiene e isolamento social, o mês de abril trará ainda mais luto, ultrapassando a marca de quatro mil mortes diárias.

— Só a ciência pode nos salvar desta pandemia e é preciso adotar medidas urgentes de restrição, especialmente lockdown. Mas, seguir a ciência hoje é dizer que, além da solidariedade, precisamos de muita pressão para que o governo federal assuma seu dever que é prover saúde para todos os brasileiros — disse.

‘Pacto pela Vida’

O comprometimento de todas as esferas sociais será selado com um abaixo assinado denominado “Pacto pela Vida”. Através do manifesto, pessoas físicas e jurídicas poderão se comprometer na promoção de ações que minimizem os efeitos da pandemia. A adesão à causa é feita através do site riopelavida.com.br.

— Nós pretendemos promover vários debates com a sociedade através do abaixo-assinado, pois saberemos que as pessoas estão de fato querendo fazer a diferença — relata o diretor da Viva Rio, Rubem César Fernandes.

Entre as propostas defendidas no encontro estão a adoção de medidas restritivas mais rígidas e a criação de uma campanha de distribuição de máscaras com orientações sobre a importância do uso adequado. O movimento também vai cobrar a ampliação da testagem, a implementação de auxílios para pessoas em situação de vulnerabilidade, e o retorno de campanhas de arrecadação de alimentos.

Auxílio emergencial

Um dos principais focos do projeto é atuar nas comunidades do Rio, lugares que mais foram afetados no âmbito do emprego, saúde e alimentação. De acordo com dados divulgados em fevereiro pelo Instituto Locomotiva, em parceria com DataFavela e Cufa, a média de refeições diárias nas favelas é de menos de duas e 68% afirmam que, nos últimos 15 dias, em ao menos um dia faltou dinheiro para comprar comida.

Com o fim do auxílio emergencial, 67% precisaram cortar despesas básicas - como comida (53%), limpeza (45%) e atrasar contas (61%) -, enquanto somente 8% conseguiram manter o padrão de consumo. A pesquisa aponta também que 71% das famílias das favelas brasileiras estão sobrevivendo com menos da metade da sua renda e 93% não têm qualquer dinheiro guardado.

— Há um consenso de que as favelas são as áreas e as pessoas mais vulneráveis. Então as lideranças de favela precisam cuidar fortemente para que as pessoas não morram de fome, lutar pela priorização dessa população na vacinação, exigir rapidez na renda emergencial, pois as pessoas precisam sobreviver — apontou o líder comunitário Itamar Silva, integrante do projeto.

Levando em consideração a pluralidade cultural e religiosa do Rio de Janeiro, líderes da igreja católica, evangélica e de religiões de matriz Africana se comprometeram a atuar em conjunto com as autoridades de saúde, para desmistificar o medo da vacina e reformar a importância da empatia e solidariedade em tempos de deserto.

Todas as demandas sociais, especialmente das comunidades carentes, buscarão apoio governamental, através das prefeituras. O presidente do Conselho de Secretários de Saúde do Estado, Rodrigo Oliveira, se comprometeu a buscar mobilização política para conter o avanço dos casos de coronavírus.

— Os municípios precisam se organizar para incentivar a consciência sanitária e a solidariedade dos cidadãos, porque ter a redução dos casos pela vacina ainda vai demorar um tempo. Se atuarmos juntos, conseguiremos impedir o colapso do Sistema Único de Saúde e salvar vidas — apontou.

Confira as ações defendidas pelo movimento:

Realização de campanha de distribuição e uso adequado de máscaras; Ampliação das testagem e rastreamento de casos de Covid-19; Busca pela aprovação dos Auxílios Emergenciais junto aos governos federal, estadual e municipal; Volta de campanhas de doação de alimentos, material de higiene e recursos financeiros para as populações vulnerabilizadas; Implementação de medidas regulatórias e de fiscalização dos transportes públicos;Investimentos públicos e privados na preparação das escolas; Preparação e execução de um plano de comunicação pública que alcance amplamente os diversos segmentos da sociedadeFortalecimento do SUSAmpliação da aplicação de vacinas em toda a população