Campanha de vacinação contra a gripe começa nesta segunda-feira

Renato Grandelle
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Primeira fase da campanha contra a influenza será dedicada aos 20 milhões de idosos do país

Começa hoje a Companha Nacional da Vacinação contra a Gripe, que pretende imunizar cerca de 67,6 milhões de pessoas em todo o país. A imunização não é eficaz contra o coronavírus, para o qual não há tratamento. No entanto, a vacina pode auxiliar os profissionais de saúde a excluir o diagnóstico para o novo patógeno, já que os sintomas são parecidos.

A campanha, batizada “Movimento Vacina Brasil contra a Gripe 2020”, custou R$ 1 bilhão ao Ministério da Saúde, que enviou 15 milhões de doses ao estado até semana passada — até o final do mês, mais 4 milhões serão distribuídas. Ao todo, serão fabricadas 75 milhões de doses. O programa será encerrado ainda no dia 22 de maio.

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Inicialmente prevista para abril, a iniciativa foi antecipada para atender ao público mais vulnerável à gripe. A partir de hoje, a imunização está disponível para idosos com mais de 60 anos, que correspondem a 20,8 milhões de pessoas no país — e profissionais de saúde. Mesmo quem se vacinou no ano passado deve voltar aos postos de saúde para receber uma nova dose.

A segunda etapa, que começará no dia 16 de abril, será dedicada a vacinação de doentes crônicos, professores das redes pública e privada e profissionais das forças de segurança e salvamento. A terceira e última fase, prevista para 9 de maio, priorizará crianças de 6 meses a 6 anos, pessoas com 55 a 59 anos, gestantes, mães no pós-parto, pessoas com deficiência, indígenas, funcionários do sistema prisional, adolescentes e jovens de 12 a 21 anos sob medidas socioeducativas e presidiários.

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A meta do governo federal é vacinar pelo menos 90% das pessoas de cada grupo. Em alguns, no ano passado, a adesão não correspondeu às expectativas, ficando em torno de 70%. O dia “D” de mobilização nacional para a vacinação será sábado, 9 de maio, quando os 41 mil postos de saúde ficarão abertos para atender todos os grupos prioritários.

Atendimento dentro do carro

Para evitar aglomerações — um cenário contraindicado em tempos de combate ao coronavírus e incentivo à quarentena — a Prefeitura do Rio investiu em um novo tipo de atendimento. A vacinação será feita em drive thru em cinco postos do Detran, que ficarão abertos das 10h às 16h, durante quatro dias por semana, em diferentes regiões da cidade. Os idosos poderão receber a imunização sem sair do carro, reduzindo o risco de contágio de outras pessoas.

As pessoas que não puderem ir de carro ao Detran ou não estiverem disponíveis no horário de funcionamento dos postos deverão procurar as unidades de atenção primária – há 233 em toda a cidade. Idosos a partir de 80 anos também poderão receber a vacinação em domicílio, se estiverem cadastrados pela equipe de saúde da família de sua região.

— O atendimento no posto do Detran será rápido. Logo na entrada, o idoso preencherá uma ficha e depois o carro segue para uma baia onde ocorrerá a vacinação. Em momento algum sairá do veículo e, por isso, não haverá aglomeração — explica Patricia Guttmann, coordenadora de Vigilância em Saúde da Secretaria municipal de Saúde. — Os idosos que estiverem sentindo sintomas ligados à influenza, como febre ou tosse, não devem sair de casa enquanto não estiverem se sentindo melhor, porque eventualmente podem transmitir uma doença. E pedimos para que seus acompanhantes entendam que a vacina está disponível apenas para quem tem mais de 60 anos.

Não é necessário levar caderneta de vacinação, embora seja recomendável, especialmente no caso de crianças, para que o profissional de saúde saiba se as imunizações está em dia.

Os profissionais de saúde, por sua vez, receberão a vacina no local em que trabalham, para não se afastarem por muito tempo de seu serviço.

Seguindo recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), a vacina, composta por vírus inativo, é trivalente e protege contra os três vírus que mais circularam pelo Hemisfério Sul no ano passado — dois subtipos da influenza A (H1N1 e H3N2), além da influenza B. Somados, provocaram 1.122 óbitos no ano passado no Brasil. Também foram registrados 5.800 casos. Sua taxa de letalidade é de 2%, semelhante a do coronavírus. A diferença é que praticamente não há pesquisas científicas sobre a epidemia que assola hoje o mundo.

— O coronavírus é uma doença nova, que ninguém teve até hoje, então há um grande potencial de infecções – explica Patricia. — Se todos adoecerem ao mesmo tempo, haverá uma enorme necessidade de internações, especialmente nos grupos que são prioritários na vacinação contra a gripe. São pessoas devem deixar suas casas para se vacinarem, mas depois respeitar o distanciamento social.

Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, assinala que, em 80% dos casos, as pessoas que contraíram influenza ou coronavírus são assintomáticas ou têm um quadro leve – por isso, raramente evoluem para uma síndrome aguda respiratória grave.

— O quadro clínico de ambas as doenças é muito semelhante: provocam mal estar, febre, dor de garganta e tosse seca. Não há uma receita para diferenciá-las. A população está correndo para as clínicas em busca da vacina contra influenza acreditando que ela poderá combater o coronavírus. Ela não tem essa capacidade. De qualquer forma, ver as pessoas buscando imunização contra a gripe é uma ótima notícia — comemora.

Serviço

Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe

Iniciativa do Ministério da Saúde beneficiará três grupos, atendidos a partir de diferentes datas.

23 de março: idosos com mais de 60 anos e profissionais da saúde

16 de abril: doentes crônicos, professores e profissionais das forças de segurança e salvamento

9 de maio: crianças de 6 meses a 6 anos, pessoas com 55 a 59 anos, gestantes, mães no pós-parto, pessoas com deficiência, indígenas, funcionários do sistema prisional, adolescentes e jovens de 12 a 21 anos sob medidas socioeducativas e presidiários

A campanha será encerrada no dia 22 de maio.

Números:

R$ 1 bilhão é o custo do programa

75 milhões de doses foram fabricadas

67,6 milhões de pessoas serão imunizadas

20,8 milhões é a quantidade da população idosa no país, beneficiada na primeira etapa da campanha

9 de maio é o Dia “D” de mobilização nacional, quando 41 mil postos de saúde estarão abertos no país

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