Campeã do ‘BBB20’, Thelma já conversou com Taís Araujo e combinou samba com Iza

Leonardo Ribeiro
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A entrevista com Thelma Assis aconteceu quase 40 horas depois do anúncio de que ela era a campeã do “Big Brother Brasil 20”, e a nova milionária ainda não tinha pregado o olho. “Nem cochilei. Estou apegada às provas de resistência”, disse Thelminha, aos risos. Para quem entrou como uma anônima numa edição que envolvia disputa com famosos e, de repente, tem mais de cinco milhões de seguidores nas redes sociais; vê textão de Bruno Gagliasso falando de como a sua vitória inspira Titi, a filha mais velha do ator; descobre que a cantora Iza está lhe “cobrando” resposta no direct do Instagram… Deve ser difícil mesmo processar.

— Eu acabei de falar com a Iza (risos). Queremos ser amigas, temos muitas coisas em comum, vamos marcar uma rodinha de samba quando tudo isso passar (a pandemia do coronavírus), e vamos ver no que vai dar essa mistura. A Pretinha Gil está me ajudando muito, estamos em contato o tempo todo (Thelma é agenciada pela empresa de Preta). Já falei também com a Taís (Araujo)... Nossa, Bruno Gagliasso fez um texto lindo que quero agradecer, mas não pretendo fazer nada com pressa. Ainda estou com um turbilhão de sentimentos, quero sentar e, aos poucos, retribuir do “mais pipoca” ao “mais camarote” — diz Thelma, fazendo referência aos termos utilizados no “BBB 20” para separar os grupos dos inscritos e dos convidados.

 

O jeito ainda maravilhada com o novo mundo misturado com a forma simples com que chama os famosos por apelidos reflete bem o estilo de como a paulistana encarou o jogo. No confinamento, ela disse uma frase clássica, mostrando não ter medo da concorrência: “Temos um público de 130 milhões de pessoas, logo a pessoa famosa que me amedrontaria aqui dentro seria a Beyoncé, que tem 137 milhões de seguidores”. E até a grande musa, ela superou. A foto no Instagram de Thelma que diz que ela é a campeã do “BBB” atingiu um milhão de curtidas em 18 minutos. A marca da cantora americana é de 30 minutos.

— Eu achei muito legal esse recorde. Beyoncé é diva, uma inspiração. Decorei o número de seguidores dela quando começaram as especulações de que poderiam ter famosos na casa. Eu sabia que se colocassem celebridades num jogo com anônimos é porque todo mundo teria condições de vencer — analisa.

Quem acompanhava a entrevista do outro lado da linha, colado à campeã do “BBB”, era Denis Santos, o seu marido. E, se tem uma relação que reúne coincidências da vida, é justamente a deles. Apesar de ter sido mecânico numa oficina na rua da casa dos pais dela, os dois nunca tinham se visto. Na época, Thelminha era estudante de Medicina em Sorocaba, no interior de São Paulo.

— É a história mais louca da minha vida. Eu estava solteira, voltando do ensaio da Mocidade Alegre (escola de samba do coração, de São Paulo), num domingo à noite, quando Denis e eu pegamos o mesmo ônibus. Ele, tímido, me ofereceu uma bala. Eu não consegui sentir medo, não enxerguei maldade. Estava naquela fase cansada das cantadas desnecessárias e achei bonitinho. Isso rendeu um telefonema; um mês depois, uma ficada; e, agora, 11 anos de relacionamento, graças a Deus. O reality foi a primeira vez que ficamos sem conversar todos os dias.

Nesse período, era Denis quem falava bastante por ela, já que era constantemente procurado para atender as solicitações da imprensa.

— Esses três meses fizeram bem para ele. Porque eu falo muito. Quando alguém questionava algo ao casal, eu é que respondia. Agora, Denis é outra pessoa. Quando vi um vídeo dele no programa, falando tão bem… Esse tempo deu resultado — diverte-se.

Assim como o maridão segurou as pontas enquanto a amada fazia tudo para ganhar R$ 1,5 milhão, Thelma já o ajudou a realizar um sonho: o de ser fotógrafo. Algumas fotos que estão nestas páginas foram feitas por ele.

— Como Denis trabalhava como mecânico, ele pausou os estudos. Mas eu sempre tive esse norte, gostei de estudar. Como ele tinha vontade de retomar, eu o incentivei a correr atrás. Aí terminou o colegial e entrou na faculdade. Bom que hoje em dia já está sendo meu fotógrafo particular (risos). A gente brilha porque ele é detalhista — derrete-se.

E é ao lado do amor que essa escorpiana, de 18 de novembro, quer riscar mais uma das metas que se propôs para 2020. Thelma fez uma lista caso entrasse no programa da Rede Globo e outra para caso não conseguisse. Do que se lembra, vai adiar, por enquanto, o sonho de engravidar.

— Na lista a gente sempre coloca aquela de melhorar o inglês, que sempre está mal resolvida, e tinha o projeto de ser mãe. Acho que vamos adiar mais um pouquinho. Penso em congelar os óvulos, para preservar, já que tenho 35 anos. Adoção é um processo mais demorado. Então, para ir adiantando, já podemos entrar na fila. Temos muita vontade de fazer isso.

Esse sonho, em específico, traz à tona a própria história. A anestesiologista foi adotada com três dias de vida. Na adolescência, descobriu, por meio de uma ligação anônima, de que Yara e Carlos não eram seus pais biológicos.

— A forma como descobri foi ruim, estava naquela fase insegura, com hormônios à flor da pele. Hoje, não tenho nenhum problema em falar sobre isso. Sempre tive muito amor dos meus pais. Por mais que as condições econômicas não fossem 100% favoráveis, isso nunca foi um empecilho para eu não ir atrás dos meus sonhos. E tudo isso só fortaleceu a nossa relação. Somos muito apegados — diz Thelma, que descarta um possível reencontro com a família que a abandonou: — Encaro como página virada. Não faz parte dos meus planos ter novas descobertas na minha vida.

Por ora, a paulistana quer apenas curtir a própria casa e dar um abraço apertado na mãe, que mora num apartamento abaixo do seu, desde que seu Carlos morreu em agosto, vítima de câncer no pulmão. Ainda está meio aérea para entender como a sociedade tem se comportado na quarentena.

— Ontem, no hotel, me peguei pensando que tinha que ir ao shopping, fazer as unhas, quando me toquei: “Meu Deus, está tudo fechado, o que eu estou falando?”. A ficha não caiu ainda nesse sentido. As alterações no nosso cotidiano me chocaram um pouco.

Antes do reality, Thelma trabalhava anestesiando pacientes em cirurgia. Ainda não teve tempo de conversar com os colegas para entender como estão trabalhando na pandemia. Soube apenas que uma amiga foi infectada, mas que já se recuperou.

— Provavelmente, reduziram o número de cirurgias eletivas e estão trabalhando apenas com emergências. Eu pretendo voltar à medicina, é o que eu amo, e quero poder ajudar no que for preciso, mas preciso esperar a poeira abaixar, até para eu entender tudo o que está acontecendo.

Com a experiência que teve na “quarentena por opção”, na casa do “BBB 20”, Thelma vai ter um bom tempo para colocar em prática no isolamento social aqui fora o que ela aprendeu lá dentro.

— Passei a valorizar mais a natureza. A minha rotina era sair cedo, ficar no trânsito para ir, mais 12 horas no centro cirúrgico... No “BBB”, se a gente visse uma borboleta, a gente achava que era um sinal. Até olhar para o céu mais vezes virou um hábito.