Campeonato Carioca começa quinta-feira com times alternativos e tensão nos bastidores

Começa nesta quinta-feira mais uma edição do Carioca, outrora chamado “mais charmoso do Brasil”, que foi perdendo relevância nos últimos anos. Por isso, e também pelo extenso calendário do futebol brasileiro, se tornou comum os principais times utilizarem equipes alternativas no início, para que os jogadores titulares possam ter uma pré-temporada mais duradoura — e esse ano não será diferente. Essa escolha por “times B” e uma disputa nos bastidores por conta dos direitos de transmissão vêm agitando a competição antes mesmo de a bola rolar.

Atual campeão da Libertadores e da Copa do Brasil, o Flamengo tem pela frente, logo no primeiro trimestre, três competições de tiro curto e que podem render títulos importantes: a Supercopa do Brasil (janeiro), Mundial de Clubes (fevereiro) e Recopa Sul-Americana (março). Por isso, pioneiro na utilização de um time B no Carioca, o clube manterá a tradição e estreará contra o Audax, na quinta — a partida, válida pela quinta rodada, foi antecipada por conta da Supercopa — com uma equipe de garotos. Nem o técnico Vítor Pereira estará no comando do time, que será treinado por Mário Jorge, técnico da categoria sub-20.

No entanto, a tendência é que os principais jogadores do Flamengo estreiem no Carioca já na segunda rodada. Recém-chegado — enquanto o elenco rubro-negro se reapresentou no dia 26 de dezembro, o português chegou ao clube na última segunda-feira, dia 2 —, Vítor Pereira deseja utilizar a competição para fazer alguns testes no time titular e dar ritmo aos atletas que disputarão as decisões.

Quem também jogará as primeiras rodadas com uma equipe alternativa é o Botafogo. Enquanto o técnico Luís Castro e os jogadores do elenco principal só se reapresentam amanhã, os atletas do sub-23, treinados por Lucio Flavio, voltaram em 15 de dezembro. A equipe B será utilizada até a terceira rodada.

Se dependesse da diretoria do Botafogo, aliás, o time alternativo disputaria a maior parte do campeonato. John Textor, dono da SAF alvinegra, planejava começar a pré-temporada do elenco principal no Rio e, no fim do mês, embarcar para os EUA. No entanto, os planos foram frustrados pelo regulamento do Carioca, que demanda que todos os times utilizem os principais jogadores a partir da quarta rodada. Com isso, o clube, que tentou, sem sucesso, negociar uma flexibilização com a Ferj, se viu sem tempo hábil para viajar.

Situação parecida vive o Vasco. Em sua primeira temporada como SAF, o cruz-maltino embarcará para a Flórida na próxima sexta-feira. No dia seguinte, sábado, o time estreará contra o Madureira. Por isso, o recém-chegado técnico Maurício Barbieri ainda estuda quais jogadores vai levar para os amistosos contra River Plate e Inter Miami nos EUA e quais ficarão no Rio para iniciar a disputa do Estadual.

Ao mesmo tempo, Barbieri começou a implementar a filosofia ofensiva pela qual a 777 Partners, empresa que administra a SAF cruz-maltina, o contratou. Além do treinador, o Vasco trouxe seis novos jogadores e em breve vai anunciar o sétimo, o meia argentino Luca Orellano.

Já o Fluminense, atual campeão carioca, é o único entre os grandes que começará o torneio com o que tem de melhor. Os reforços, como Jorge e Keno, que devem ser titulares, e os remanescentes treinam juntos desde segunda-feira e devem ser utilizados por Fernando Diniz contra o Resende no sábado.

— Vimos que os atletas realmente cumpriram com o que queríamos (durante as férias), chegando com nível de condicionamento bem agradável, do ponto de vista do que temos de histórico de outras reapresentações e pré-temporadas. Acreditamos que esses 15 dias serão suficientes para deixar o grupo num bom momento para o Estadual — disse Marcos Seixas, preparador físico, ao site oficial do tricolor.

Enquanto o departamento de futebol dos quatro grandes organizavam a pré-temporada e o início do Campeonato Carioca, as diretorias travavam uma guerra nos bastidores pela venda dos direitos de transmissão da competição. Ao longo das conversas, o cenário que se formou foi de Botafogo e Vasco, ambos no formato SAF comandadas por empresários americanos, unidos de um lado e a dupla Flamengo e Fluminense, que mantém relação longa por conta da administração do Maracanã, de outro. Em jogo, estavam os valores que cada um dos quatro grandes receberia pela venda dos direitos.

De um lado, alvinegro e cruz-maltino queriam que os clubes recebessem os mesmos valores. O Flamengo, por sua vez, defendia que deveria receber mais com o argumento de que faz maiores investimentos, tem maior torcida e dá mais engajamento aos serviços de TV fechada e nas redes sociais. O Fluminense, que chegou a se colocar ao lado de Botafogo e Vasco, acabou por fechar a discussão ao lado do rubro-negro.

Ao fim das disputas, Botafogo e Vasco optaram por não assinar o acordo da Ferj com a Brax, empresa que negociou os direitos de transmissão com a Band, pela venda do pacote. Desta forma, a dupla Fla-Flu recebeu, respectivamente, R$ 21 milhões e R$ 14 milhões. A cerca de uma semana da estreia na competição, o alvinegro e o cruz-maltino negociam com duas empresas por conta própria.