Canabidiol pode ajudar no tratamento de burnout de profissionais da saúde, aponta estudo da USP

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Canabidiol é extraído da planta Cannabis sativa (Foto: Getty Images)
  • Estudo da USP mostrou que uso do canadibiol é capaz de reduzir ansiedade, depressão e estresse

  • 120 profissionais de saúde que atuaram na linha de frente da covid-19 foram monitorados

  • Resultados são notados entre 14 e 28 dias após início do tratamento

Uma pesquisa feita pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP) mostra que o canabidiol (CBD) pode ajudar no tratamento da síndrome de burnout e tratamento da exaustão dos profissionais de saúde que estão na linha de frente do tratamento da covid-19.

O canabidiol é a substância extraída da planta Cannabis sativa, que é usada em outras práticas terapêuticas. O líder do estudo, José Alexandre Crippa, explica que ainda não existe um tratamento com medicamento para esse tipo de situação.

“O resultado é importante, pois ainda não existe um tratamento farmacológico estabelecido para essas condições”, afirmou ao jornal científico Journal of the American Medical Association, no qual a pesquisa foi publicada.

Como foi feito o estudo

Os cientistas acompanharam 120 profissionais da saúde do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, entre médicos, enfermeiros e fisioterapeutas. Todos eles trabalhavam diretamente com pacientes com covid-19 entre junho e novembro de 2020.

Durante 28 dias, 61 profissionais da saúde receberam 300 mg de canabidiol, além do tratamento padrão com orientações, vídeos motivacionais e recomendação de exercício físico. Ao mesmo tempo, outras 59 pessoas receberam apenas o tratamento padrão.

Foram feitas duas avaliações com os participantes. Uma etapa era subjetiva, quando os voluntários responderam um questionário, e a outra objetiva, com entrevistas feitas por médicos.

Não houve um grupo placebo no estudo, ou seja, os profissionais sabiam se estavam tomando o canabidiol ou não. Isso representa, do ponto de vista científico, uma limitação, porque pode influenciar a percepção de melhora dos voluntários. Ainda assim, o líder do estudo explicou que os avaliadores não sabiam quem estava em qual grupo. “Assim, pudemos minimizar a subjetividade das avaliações”, disse Crippa.

Resultados

Os resultados mostraram que o grupo que tomou o canabidiol teve redução de:

  • 60% nos sintomas de ansiedade

  • 50% nos sintomas de depressão

  • 25% nos sintomas de burnout

Todos esses números são uma comparação com o grupo que não tomou o medicamento. “Os dados analisados indicaram diminuição significativa após 14 e 28 dias de uso do fármaco”, sinalizou Crippa.

O professor lembra ainda que o canabidiol deve ser prescrito por um médico que poderá monitorar possíveis efeitos colaterais por meio de entrevistas e exames laboratoriais.

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