Trudeau promete 'ações concretas' após descoberta de valas comuns de crianças indígenas

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Justin Trudeau, em Ottawa, em abril de 2020

O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, expressou a dor do Canadá prometeu "ações concretas" em apoio às comunidades originárias depois que os restos mortais de 215 crianças indígenas foram descobertos no local de um antigo internato.

"Como pai, não consigo imaginar como seria a sensação de ter meus filhos tirados de mim", disse Trudeau em entrevista coletiva.

“E como primeiro-ministro, estou chocado com a política vergonhosa que tirou as crianças indígenas de suas comunidades”.

“Pensem em suas comunidades que nunca mais as viram. Pensem em suas esperanças, seus sonhos, seu potencial, tudo o que eles teriam alcançado, tudo o que eles teriam se tornado”, disse ele. "Tudo isso foi tirado delas".

Trudeau, que fez da reconciliação com os quase 1,7 milhão de indígenas do Canadá uma prioridade de seu governo desde que chegou ao poder, em 2015, disse que falaria com seus ministros para assinalar "as próximas e futuras coisas que temos que fazer para apoiar os sobreviventes [dos internatos] e a comunidade".

Escavar os terrenos de escolas em todo o Canadá, como muitos tem sugerido, "é uma parte importante para descobrir a verdade".

"O Canadá estará lá para apoiar as comunidades indígenas enquanto descobrimos a extensão deste trauma e buscamos oferecer oportunidades para as famílias e comunidades se curarem", prometeu.

A tribo local Tk'emlups te Secwepemc relatou na semana passada que encontrou os restos mortais de 215 alunos de uma escola perto de Kamloops, na Colúmbia Britânica (oeste).

A Kamloops Indian Residential School foi o maior de 139 internatos estabelecidos no final do século 19 para integrar os povos indígenas do Canadá, com até 500 alunos matriculados e frequentando simultaneamente o local.

O antigo internato, administrado pela Igreja Católica em nome do governo canadense, funcionou de 1890 a 1969, quando Ottawa continuou sua administração e o fechou definitivamente uma década depois.

Os registros oficiais mencionavam apenas 50 mortes na escola.

- Sapatinhos em homenagem -

Com o país de luto, as bandeiras dos prédios do governo foram hasteadas à meio mastro no fim de semana.

Várias fileiras de sapatos infantis foram colocadas em frente ao Parlamento, em Ottawa, e nas escalarias de acesso aos escritórios governamentais e igrejas de várias cidades em homenagens improvisadas.

Cerca de cem pessoas, várias delas trajando roupas cerimoniais, também marcharam no domingo na comunidade Mohawk de Kahnawake, perto de Montreal.

O diretor nacional da Assembleia das Primeiras Nações, Perry Bellegarde, foi citado pelo Globe and Mail dizendo que os ex-alunos e suas famílias "merecem saber a verdade".

"Uma investigação exaustiva de todos os antigos prédios de escolas residenciais poderia levar a mais verdades do genocídio contra o nosso povo", acrescentou.

O serviço forense da Columbia Britânica está ajudando a tribo Tk'emlups te Secwepemc a estabelecer as causas e os tempos das mortes dos estudantes em Kamloops.

Nesta segunda-feira, os partidos da oposição solicitaram, e Trudeau concordou, com um debate de emergência no Parlamento sobre a descoberta "dolorosa".

Cerca de 150.000 crianças ameríndias, mestiças e inuítes foram matriculadas à força nessas escolas, onde foram separadas de suas famílias, de seu idioma e de sua cultura.

Elas foram abusadas física e sexualmente por autoridades e professores.

Hoje se atribui a estas experiências uma alta incidência de pobreza, alcoolismo e violência doméstica, assim como altas taxas de suicídio nas comunidades indígenas.

Uma comissão de verdade e reconciliação identificou os nomes, ou informações, de pelo menos 4.100 crianças que morreram vítimas de abuso ou negligência enquanto frequentavam colégios internos. Estima-se que o número real seja muito maior.

A comissão concluiu em um relatório de 2015 que mais de um século de abusos nas escolas equivaleram a um "genocídio cultural".

Sete anos antes, Ottawa havia se desculpado formalmente como parte de um acordo de US$ 1,5 bilhão com ex-alunos.

O Centro Nacional para a Verdade e a Reconciliação da Universidade de Manitoba, enquanto isso, estabeleceu um registro on-line com os nomes de milhares de crianças que nunca voltaram para casa dos internatos, juntamente com fotos antigas de salas de aula.

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