Canadá indica 2ª dose de vacina da Pfizer ou Moderna para quem tomou a da AstraZeneca

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Canadá passou a recomendar que pessoas tomaram a primeira dose da vacina da AstraZeneca/Oxford contra a Covid-10 recebam, preferencialmente, um imunizante desenvolvido a partir de tecnologia de mRNA (RNA mensageiro), como as vacinas da Pfizer/BioNTech e da Moderna.

Segundo o Naci (comitê canadense consultivo sobre imunização, em tradução livre), a nova recomendação, publicada na última quinta-feira (17), é baseada em evidências recentes de uma potencial resposta imune melhor com a mistura de diferentes imunizantes.

"Novas evidências estão começando a surgir, sugerindo que as respostas imunológicas são melhores quando uma primeira dose da vacina AstraZeneca é seguida por uma vacina de mRNA como segunda dose", disse, em nota anexada à atualização, Shelley Deeks, diretor do NACI.

O comitê também afirma que mesclar a vacina da AstraZeneca com outras ajuda na mitigação do raro risco de coágulos (em um quadro conhecido como trombose com trombocitopenia) associado aos imunizantes desenvolvidos a partir de vetores virais.

Além da vacina da AstraZeneca, o imunizante da Janssen também usa um adenovírus para apresentar a proteína S (Spike) do Sars-CoV-2 ao organismo humano e, assim, permitir que o corpo construa defesas imunológicas contra o vírus. É com a proteína S que o vírus se encaixa nas células humanas e as invade.

A entidade afirmou ainda que outro fator também pesou na recomendação: a atual maior disponibilidade de vacinas do tipo mRNA (Pfizer ou Moderna) no Canadá. A atual situação epidemiológica do Canadá, com circulação de variantes de preocupação, também influenciou a decisão a atual.

"As pessoas que receberam duas doses da vacina da AstraZeneca/Covishield podem ter a certeza de que a vacina oferece boa proteção contra infecções e muito boa proteção contra quadros graves e hospitalização", consta no resumo da atualização disponibilizada pelo comitê.

O comitê também passou a recomendar que as pessoas tomem, preferencialmente, vacinas do tipo mRNA como primeira dose, a menos que elas não estejam disponíveis ou que haja contraindicação para seu uso (como alergia a algum de seus componentes).

Antes, o comitê recomendava que pessoas que quisessem se imunizar assim que possível tomassem vacinas desenvolvidas a partir de vetores virais, como é o caso da da AstraZeneca.

O comitê reafirma, contudo, que o uso das duas doses da vacina AstraZeneca "oferece boa proteção contra a Covid-19". Deeks afirma ainda que não há necessidade de uma terceira dose do imunizante.

Na última sexta (18), o Chile afirmou que estuda a possibilidade de que pessoas que tomaram as duas doses da vacina da AstraZeneca recebam uma terceira dose, mas, dessa vez, de um imunizante desenvolvido a partir de mRNA.

O governo chileno também estuda a possibilidade de uma terceira dose da Coronavac (no Brasil, produzida pelo Instituto Butantan). Cerca de 77% dos que foram vacinados no país receberam a Coronavac.

As estratégias surgiram em meio à situação crítica da pandemia no país, apesar do Chile ser a país da América do Sul com a vacinação contra a Covid mais avançada.

O Chile já aplicou a primeira dose da vacina contra a Covid em 63,4% da população e a segunda dose em 50% da população (9,4 milhões). Mesmo com tais números de vacinação, permanece elevada (acima de 90%) a ocupação dos leitos de UTI em algumas regiões, como Santiago.

Questionado, o Ministério da Saúde do Brasil afirmou, em nota, que "não recomenda a intercambialidade de vacinas" e que "o esquema vacinal deve ser completado com as duas doses do mesmo fabricante, respeitando o intervalo indicado".

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) afirma que não foram apresentados à agência estudos sobre a possibilidade de intercambialidade de vacinas. A agência diz ainda que, para a indicação de doses presente nas bulas dos imunizantes, foram apresentados dados científicos válidos e consistentes.

"A alteração de bula só poderá ser feita caso os desenvolvedores das vacinas solicitem a mudança, mediante apresentação dos estudos clínicos que subsidiem essa recomendação", diz a Anvisa, em nota. "Assim, a Anvisa somente poder avaliar o pedido a partir da apresentação de dados."

A Fiocruz, produtora da vacina da AstraZeneca no Brasil, disse, também em nota, que até o momento não há previsão para estudos sobre intercambialidade de vacinas.

A pandemia no Brasil permanece em níveis alarmantes. O país já está há mais de 150 dias seguidos com média móvel de mortes acima de mil por dia e, na última semana, voltou a ter médias acima dos 2.000 óbitos diários. No último final de semana, o país ultrapassou a marca de 500 mil vidas perdidas.

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