Canadá e México aliviados com nova postura de Trump sobre Nafta

Por Michel COMTE
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O primeiro-ministro candense, Justin Trudeau, em Berlim, em 17 de fevereiro de 2017

Canadá e México tiveram algum alívio em sua difícil relação comercial com os Estados Unidos depois que o presidente Donald Trump moderou sua ameaça de romper com o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).

Conversas telefônicas entre os líderes dos três países abriram na noite de quarta-feira o caminho para uma renegociação do tratado quando horas antes acreditava-se que os Estados Unidos se desvincularia.

O chanceler do México, Luis Videgaray, disse nesta quinta-feira que a ruptura "foi uma possibilidade real".

"Temos confirmado que é algo que se estava considerando", mas a decisão não estava tomada, afirmou a mexicana Radio Fórmula.

Trump disse que o presidente do México, Enrique Peña Nieto, e o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, o chamaram para renegociar e não derrogar o Nafta.

"Me chamaram e me disseram: em vez de acabar com o Nafta, você poderia por favor renegociá-lo?", disse Trump nesta quinta-feira após uma cerimônia na Casa Branca.

O presidente lembrou que na campanha prometeu renegociar ou romper o tratado e acrescentou: "Em vez de terminar com o Nafta, o que causaria um grande choque ao sistema, o renegociaremos".

Políticos, diplomáticos e grupos de pressão têm feito esforços.

Após uma primeira ligação a Trump na terça-feira para defender a madeira canadiense taxada por Washington, Trudeau voltou a telefonar para a Casa Branca.

"Tivemos uma nova boa conversa e, consequentemente, (Trump) disse que pensava em anular" esse acordo", disse Trudeau nesta quinta-feira.

Peña Nieto e Trudeau conversaram por telefone na tarde desta quinta-feira, e "concordaram que existe uma oportunidade de se obter uma atualização positiva para os três países signatários" do Nafta.

Os dois líderes acertaram "manter um estreito contato" durante o processo de renegociação, revelou um comunicado da presidência mexicana.

O Nafta está vigente desde 1994, mas foi em 2008 que todas as tarifas chegaram ao fim entre os sócios, com exceção de quase todos os lácteos e da madeira canadense para construção.

Após os primeiros embates de Trump contra o acordo, Trudeau se disse aberto a renegociá-lo.

- Nervosismo -

Durante uma visita a Washington, Trudeau defendeu o livre comércio com seus dois parceiros e lembrou que para os exportadores americanos, o Canadá é seu principal mercado.

Para Trump, que quer priorizar o emprego dos americanos, acabar com o acordo com uma canetada não agradaria vários sectores exportadores como el de automóveis e alimentos agrícolas.

Trudeau disse ter dito a Trump que o Nafta permitiu gerar muitos empregos e empresas.

Trump afirma que deixaria o Nafta a contra-gosto, porque diz ter "respeito" pelos dois países e que "aprecia muito" Trudeau e Peña Nieto.

A cada minuto, mais de um milhão de dólares em mercadorias são comercializadas entre Canadá e Estados Unidos.

"México e Canadá estão entre nossos mais importantes mercados de exportação", disseram produtores de cereais dos Estados Unidos que se declararam "em comoção e inquietos" por colocarem o Nafta em risco.

Contra os Estados Unidos, o "Canadá tem prejuízos próprios e é hora que Trudeau defenda nossos interesses", estimou Maude Barlow, presidente do Conselho dos Canadenses, um centro de reflexão de esquerda.

Os sucessivos ataques contra o Canadá perturbam os empresários desse país. As tarifas alfandegárias impostas na terça-feira à madeira canadense assim como o alívio fiscal apresentado na quarta-feira às empresas dos Estados Unidos, preocuparam o Canadá.

"A administração de Trump não só limita o acesso canadense ao mercado americano, como também lhe dá mais meio a suas empresas" para ser competitivas nos mercados internacionais, disse Perrin Beatty, presidente da Câmara de Comércio do Canadá.

Renegociar o Nafta é um mal menor para Trump e os Estados Unidos.

Sua denúncia desataria "uma reviravolta no Congresso, teria parado a atividade de empresas devido à relação entre as redes de abastecimento, teria castigado a economia e, finalmente, teria desatado uma onda de processos" judiciais, estimou Angelo Katsoras, economista do banco Nationale do Canadá.