Canadá retoma audiências sobre extradição de executiva da Huawei

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Huawei Chief Financial Officer, Meng Wanzhou, leaves her Vancouver home to appear in British Columbia Supreme Court, in Vancouver, British Colombia on November 16, 2020

Canadá retoma audiências sobre extradição de executiva da Huawei

Huawei Chief Financial Officer, Meng Wanzhou, leaves her Vancouver home to appear in British Columbia Supreme Court, in Vancouver, British Colombia on November 16, 2020

A executiva Meng Wanzhou, da gigante chinesa de telecomunicações Huawei, compareceu a uma nova rodada de audiências de extradição nesta segunda-feira (16), em Vancouver, com a aproximação do aniversário de dois anos de sua prisão pelas autoridades canadenses.

Meng, diretora financeira da Huawei, tem lutado contra a extradição para os Estados Unidos, onde é acusada de fraude por ter mentido ao banco HSBC sobre a relação entre a Huawei e a Skycom, uma filial que vendia equipamentos de telecomunicação para o Irã, durante uma apresentação em 2013, expondo o banco às sanções americanas.

A prisão de Meng em dezembro de 2018, em Vancouver, colocou as relações entre Canadá e China em crise. Dias depois, dois canadenses foram detidos na China, acusados por Pequim de espionagem, no que Ottawa insistiu ser um movimento de retaliação. O governo chinês, porém, garante não haver relação entre os casos, ao mesmo tempo que insiste que Meng não violou nenhuma lei.

Durante as próximas duas semanas, os advogados de Meng darão sequência ao interrogatório das autoridades policiais envolvidas na detenção da executiva.

A defesa de Meng tentará mais uma vez convencer o juiz de que os direitos de sua cliente foram violados quando ela foi interrogada por três horas por agentes alfandegários canadenses sem saber do que foi acusada antes mesmo de ser presa oficialmente.

Meng afirma que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, "envenenou" suas chances de uma audiência justa, sugerindo que o mandatário republicano poderia intervir no caso, mas o procurador-geral do Canadá argumentará que o tribunal deve bloquear algumas dessas evidências.

Seus advogados também denunciam que os aparelhos eletrônicos apreendidos - principalmente seu celular e laptop - foram enviados ao FBI, nos Estados Unidos, algo que, segundo eles, constitui uma violação à Carta Canadense de Direitos e Liberdades.

Agora, porém, uma testemunha chave no caso - o agente recém-aposentado Ben Chang, que outros agentes indicaram ter passado as informações digitais de Meng para o FBI - recusou-se a depor, de acordo com o advogado de defesa de Meng, Richard Peck. Chang negou ter compartilhado os dados com o FBI e o e-mail em questão foi excluído permanentemente após a sua aposentadoria.

O caso de extradição está programado para chegar a uma conclusão em abril de 2021.

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