Canadá segue em busca do segundo suspeito de ataques a faca

A comunidade indígena do Canadá onde ocorreu uma série de ataques a faca que deixou uma dezena de mortos no último domingo seguia em alerta nesta terça-feira, em meio a uma operação policial para capturar o segundo suspeito dos ataques, que poderia estar escondido no povoado.

Depois de pedir aos moradores locais que se mantivessem em segurança, a polícia chegou à localidade isolada situada no centro-oeste do país.

O ataque em massa foi um dos mais sangrentos dos últimos anos no Canadá, país pouco acostumado a esse tipo de violência. A polícia identificou os suspeitos como Myles Sanderson, 30 anos, e Damien Sanderson, 31.

Myles Sanderson continua foragido e está armado, segundo a polícia. O corpo de Damien Sanderson foi encontrado na segunda-feira perto de uma casa revistada pelas autoridades.

"Não sabemos com certeza como Damien morreu, mas pode ter sido assassinado por seu irmão", explicou à imprensa a comissária adjunta da Gendarmaria Real do Canadá, Rhonda Blackmore.

Myles Sanderson pode estar ferido. Ele já havia sido condenado a cinco anos de prisão por roubo e era procurado desde maio por violar sua liberdade condicional.

Os assassinatos se concentraram primeiro em uma comunidade nativa em James Smith Cree Nation, e depois na cidade vizinha de Weldon, na província rural e muito povoada de Saskatchewan, no centro-oeste do país.

"Nossas vidas nunca mais serão as mesmas", lamentou Ruby Works, 42, moradora de Weldon. "As pessoas têm medo de sair de casa", contou a mulher, de luto por seu amigo Wes Peterson, morto no domingo. Ela afirma que não dormirá "até que peguem o suspeito".

Autoridades acreditam que algumas das vítimas estavam na mira dos suspeitos, e outras foram atacadas de forma aleatória. A maioria era indígena. Desde o ataque, a comunidade de James Smith Cree Nation se declarou em estado de emergência.

- 'Já sofreram o suficiente' -

Nas redes sociais, muitas pessoas da comunidade Cree, um dos primeiros povos do Canadá, expressaram tristeza e preocupação e pediram que Sanderson se entregue às autoridades.

Bobby Cameron, chefe da Federação de Nações Autóctones Soberanas (FSIN), que representa as comunidades da província, implorou a "toda a população de Saskatchewan a compartilhar qualquer informação pertinente".

"A incerteza segue provocando stress e pânico incomensuráveis em nossas famílias, amigos e vizinhos. Já sofreram o suficiente", acrescentou.

A comunidade viveu anteriormente outros episódios de violência. Há praticamente um ano, um tiroteio deixou dois mortos.

No Canadá, os autóctones representam em torno de 5% dos 38 milhões de habitantes e vivem em comunidades muitas vezes afetadas pela pobreza e desemprego. Segundo dados oficiais, 50% da população da comunidade, com  taxa de desemprego de 24%, têm menos de 24 anos.

Várias autoridades indicaram também problemas com drogas e álcool além de dificuldades relacionadas ao trauma geracional causado durante um século de abusos em internatos para indígenas.

Darryl Burns, cuja irmã foi assassinada no domingo, explicou a meios locais que os dois suspeitos eram "produtos dos internatos" e "tinham muita raiva". "A luta que enfrentamos aqui não é entre nós... a batalha é contra o alcoolismo e uso de drogas", acrescentou.

Nos últimos anos, o Canadá viveu uma sucessão de eventos de uma violência rara neste país. Em abril de 2020, um homem armado disfarçado de policial matou 22 pessoas na Nova Escócia. Em janeiro de 2017, seis pessoas foram mortas em um tiroteio em uma mesquita de Quebec.

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