Canadenses derrubam estátuas de rainhas Vitória e Elizabeth II após descoberta de túmulos indígenas

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Estátua da Rainha Vitória foi derrubada por manifestantes (Shannon VanRaes/Reuters)
Estátua da Rainha Vitória foi derrubada por manifestantes (Shannon VanRaes/Reuters)
  • Canadenses derrubaram estátuas de rainhas britânicas

  • O ato aconteceu após a recente descoberta de mais de mil túmulos de crianças indígenas

  • Nos últimos dias, foram queimadas igrejas católicas pelo país pelo mesmo motivo

A recente descoberta de túmulos de mais de mil crianças indígenas em antigas escolas católicas do Canadá gerou novo protesto no país na última quinta-feira. Manifestantes derrubaram as estátuas de duas rainhas britânicas: Vitória e Elizabeth II.

O ato aconteceu na cidade de Winnipeg e, de acordo com a polícia local, foi pacífico. Os manifestantes escolheram a data a dedo, uma vez que 1º de julho marca o Dia do Canadá, que lembra a criação da confederação no país.

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Vale lembrar que o Canadá foi colonizado pelo Reino Unido, faz parte da Commonwealth e, por isso, tem Elizabeth II como sua rainha, assim como já aconteceu com Vitória.

Na quinta, porém, os manifestantes cobriram a estátua de Vitória com tinta vermelha amarraram-na e puxaram até que fosse derrubada. Depois, fizeram o mesmo com uma estrutura menor, que representa Elizabeth II.

Este foi o mais recente protesto da população canadense após a descoberta dos túmulos indígenas. Na quinta-feira, chegou a oito o número de igrejas católicas incendiadas no país justamente por causa do papel da religião nas mortes destas crianças.

Igreja em chamas no Canadá. Foto: Reprodução
Igreja em chamas no Canadá. Foto: Reprodução

O descobrimento dos túmulos

Os protestos começaram após a divulgação, em maio, de que haviam sido descobertos os restos mortais de 215 crianças em uma escola católica na Escola Residencial Indígena de Marieval, em Saskatchewan, na província de Colúmbia Britânica. Esse foi apenas a primeira de uma série de descobertas do tipo.

Na semana passada, os restos mortais de 751 pessoas não identificadas foram encontradas em uma unidade de ensino ligada aos católicos, mas que está localizada em uma área indígena.

Na última quarta-feira (30), mais 182 túmulos sem identificação foram descobertos em um terceiro internato, a Escola St. Eugene’s Mission, cerca de Crankbrook, também na Colúmbia Britânica. Nos túmulos estariam jovens com idade entre 7 e 15 anos.

As revelações apontam para a possibilidade de estas pessoas terem sofrido atrocidades no período em que crianças de povos nativos do Canadá eram retiradas de suas famílias e obrigadas a frequentar internatos administrados por entidades religiosas, sendo 70% destas católicas. Grande parte destes jovens nunca reencontraram a família.

As buscas da descoberta mais recente, em Cranbrook, começaram no ano passado, de acordo com a comunidade indígena Lower Kootenay. Lá, a Igreja Católica administrou uma escola, a pedido do governo federal, entre 1912 e o início dos anos 1970.

O relatório sobre a descoberta afirmou que alguns túmulos tinham apenas um metro de profundidade. Os corpos provavelmente são de membros de grupos da nação Ktunaxa, que inclui a Lower Kootenay e comunidades indígenas vizinhas.

Mais ou menos 150 mil jovens indígenas, inuítes e mestiços foram obrigados a se matricular em algumas destes 139 internatos até os anos 1990. Lá, estudantes eram abusados física e sexualmente por diretores e professores, além de serem separados de sua cultura e idioma.

No total, ao menos quatro mil jovens morreram por doenças ou negligência nessas escolas. Uma investigação concluiu que o Canadá cometeu genocídio cultural.

Frente às revelações, Trudeau pediu desculpas pela “política governamental prejudicial” e endossou os pedidos de líderes indígenas para que o Papa Francisco vá ao Canadá pedir desculpas em nome da Igreja Católica.

A Federação de Nações Indígenas Soberanas, que representa 74 povos indígenas em Saskatchewan, pede que a Igreja para cumpra sua promessa de indenizar ex-alunos com US$ 20 milhões (cerca de R$ 100 milhões).

A Igreja arrecadou e doou apenas C$ 34.650 (US$ 27.950 ou cerca de R$ 140 mil), informou em um comunicado.

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