Candidata do PL orienta fiscal a intimidar mesário e não entregar celular em SP

Candidata orientou fiscais a intimidarem mesários (Fábio Pozzebom/Agência Brasil)
Candidata orientou fiscais a intimidarem mesários (Fábio Pozzebom/Agência Brasil)
  • Candidata do PL orientou fiscais a intimidarem mesários e não entregar celular no dia da eleição

  • Apoiadora do presidente Jair Bolsonaro distribuiu crachás para eleitores virarem fiscais

  • Ela também divulgou central de denúncias caso os eleitores vejam "algo estranho"

Uma candidata a deputada federal do PL, mesmo partido do presidente Jair Bolsonaro, está orientando fiscais eleitorais e intimidarem mesários na eleição deste domingo (2).

Cleonice de Oliveira, conhecida como "Dra. Cléo", foi responsável por distribuir crachás de fiscais a apoiadores de Bolsonaro e do candidato a governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) durante manifestação de 7 de setembro na Avenida Paulista, em São Paulo.

A credencial distribuída pela candidata tinha o símbolo do PL e podia ser preenchida com informações do fiscal, em desacordo com o que estabelece a lei eleitoral.

A reportagem do UOL decidiu entrar em contato com a candidata simulando interesse no credenciamento para fiscal. Em conversa por telefone, Cleonice explicou ao suposto candidato que o plano é "intimidar mesários a não fazer besteira".

A principal orientação é em relação ao uso de celular, uma vez que a lei estabelece que o aparelho do eleitor deve ser entregue ao mesário antes da votação no domingo.

"Ninguém pode pôr a mão no nosso celular, só a polícia. Nenhum mesário tem o poder de polícia para colocar a mão nos nossos celulares. É isso que você [fiscal] irá orientar para todo mundo. Se alguém [mesário] ousar querer tirar o celular da mão das pessoas, você vai dizer que 'ele não tem poder para isso'", disse a candidata ao repórter.

A própria Cleonice apresentou-se como responsável pelo cadastramento de fiscais do PL no estado de São Paulo e destacou a existência de uma "central de denúncias" do partido, um telefone para o qual os fiscais podem ligar caso vejam "alguma coisa estranha".

"Nós vamos fiscalizar e mandar gente para mandar socorro para vocês lá no colégio em que vocês estiverem", disse ela.

Candidata se manifesta

Após este primeiro contato, a reportagem do UOL voltou a conversar com Cleonice, desta vez para uma entrevista. A candidata foi questionada sobre a orientação para intimidar os mesários e desconversou sobre o assunto.

"Eu não oriento nada. O mesário não tem que pegar nada e ninguém tem que entregar nada. O meu [celular] ninguém vai pegar. [O que] eles [eleitores] não podem é expor os celulares na hora da votação."

A mulher também negou ser a única responsável pelos fiscais de São Paulo e garantiu que a central de denúncias é de responsabilidade do partido. "Temos policiais, advogados, muita gente."