Candidata do PSB no MT é preterida por Lula em nome de aliança com deputado ruralista

Aliado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida pelo Palácio do Planalto, o PSB foi preterido pelo petista na disputa pelo Senado no Mato Grosso em nome de uma aliança local com o PP, sigla que faz parte da base de apoio de Jair Bolsonaro. O deputado Neri Geller (PP-MT), ligado a setores do agronegócio, é quem tem o apoio do ex-presidente para tentar conquistar a vaga no Senado. Ele terá, contudo, a concorrência da médica Natasha Slhessarenko (PSB), que decidiu manter sua candidatura mesmo sem o respaldo do principal aliado do seu partido na disputa nacional.

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Geller declarou apoio a Lula no mês passado e ganhou a missão de aproximar o petista de produtores rurais, campo dominado pelo bolsonarismo. Como parte dessa estratégia, o deputado tem marcado compromissos do ex-governador Geraldo Alckmin (PSB), candidato a vice na chapa do ex-presidente, junto a entidades ligadas ao agro.

Natasha, por sua vez, não declara apoio a Lula e trabalha para estar no palanque do governador Mauro Mendes (União Brasil), que tenta a reeleição com o apoio do PSB. Ao mirar o eleitorado de centro-esquerda em um estado conservador — onde o presidente Jair Bolsonaro tem forte base de apoio —, a médica irá, na prática, disputar o mesmo público que Geller.

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O grupo aliado a Geller entende que Natasha, ao disputar sua primeira eleição, não tem viabilidade para ganhar, mas pode atrapalhar a votação do deputado ao Senado. Desde que anunciou apoio a Lula, Geller vem sofrendo resistências de setores radicais do agro que são pró-Bolsonaro ao mesmo tempo em que tenta se aproximar de produtores abertos ao diálogo com o vice de Lula.

— Estou em um projeto em que eu acredito. É estranho, todo trabalho que estamos fazendo com Alckmin e o partido dele (PSB) não vir conosco — afirma Geller.

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Lula segue com palanque em discussão no Mato Grosso. O PT não terá candidato, mas trabalha pela candidatura da primeira-dama de Cuiabá, Márcia Pinheiro (PV-MT), depois de o senador licenciado pelo PSD Carlos Fávaro — outro político ligado ao agro chamado por Lula para se aproximar do setor — não ter aceito o convite. Em paralelo, o PT também tenta afastar o PSB do palanque de Mauro Mendes e critica a posição de Natasha.

— Não tem sentido nosso maior aliado nacionalmente estar com Mauro depois de todo trabalho para construir aliança em estados como Pernambuco e São Paulo. Ao não se pronunciar pela defesa do Lula, ela demonstra que não apoia Lula. E não apoiando Lula, estando no palanque de Mauro Mendes, que estará Bolsonaro, não precisa falar, está implícito quem ela apoia — diz o presidente do PT no Mato Grosso, Valdir Barranco.

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Novata na política, Natasha é professora universitária, empresária e filha de uma ex-petista — a ex-senadora Serys Slhessarenko (PSB-MT). A candidata diz se considerar ideologicamente mais próxima da chapa de Lula do que Geller, mas pondera que pretende trabalhar para conseguir votos fora da polarização Lula-Bolsonaro.

— Sou do partido do Geraldo (Alckmin), gostaria de abraçar e ser abraçada. Em nível nacional, a federação aqui está com Neri. Isso veio de cima para baixo, não foram negociações regionais. Gostaria de poder ter apoio e ser apoiada, mas não encontrei. Sendo assim fico numa situação complicada. Como vai namorar alguém que não quer namorar com você? — diz.

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Natasha já admite a possibilidade de ter uma candidatura avulsa, uma espécie de terceira via. Questionada se poderá apoiar Bolsonaro, disse que preferia não responder, mas não descartou a possibilidade:

— Como médica, entendo que houve equívocos na condução da pandemia, mas teve acertos, como fortalecimento da atenção primária e das equipes médicas de atenção. Nada na política dá para fechar, dizer que não.

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Políticos que trabalham por Natasha tentam convencer Geller a concorrer ao governo do Estado, que abriria caminho para Lula apoiar a candidatura da médica — hipótese que o deputado refuta. O presidente do partido do PSB no Mato Grosso, Max Joel Russi, acredita que Natasha deve declarar apoio a Lula ao longo da campanha.

— Se ela apoia Alckmin, apoia Lula. É automático.

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