Candidato à Prefeitura de Magé é alvo de operação contra milícia, na Baixada Fluminense

Filipe Vidon
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Reprodução/Câmara Municipal de Magé

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Reprodução/Câmara Municipal de Magé

RIO – O candidato à Prefeitura de Magé André Antonio Lopes do Nascimento (PSD), o Sargento Lopes, é um dos alvos de uma operação da Polícia Civil, nesta segunda-feira, contra a milícia na Baixada Fluminense. Ao todo, 16 pessoas foram denunciadas e 10 mandados de prisão e 64 de busca e apreensão foram expedidos. Contra o PM reformado e vereador Lopes não havia mandado de prisão, mas um de busca e apreensão expedido pela 1ª Vara Criminal Especializada do Tribunal de Justiça do RJ, que lida com o crime organizado.

Segundo a denúncia, a milícia que atuava em no bairro de Suruí, em Magé, atuava de forma "setorizada, instalando verdadeiro regime de terror em alguns bairros do município". De acordo com as investigações, integrantes deste grupo são autores homicídios e casos de tortura na região, com a suposta intenção de "manter a ordem e impor seu domínio territorial". Em entrevista à TV Globo, o delegado Moyses Santana afirmou que o Sargento Lopes e o filho, conhecido como Andrézinho, atuavam facilitando a operação do grupo.

– Nós detectamos durante as investigações que havia um vínculo forte do Sargento Lopes com essa organização, principalmente o filho dele, que também é PM e alvo de buscas hoje. Ele é conhecido como Andrézinho e atuavam juntos com a organização para facilitar os trabalhos, sem oprimir os crimes praticados.

Em dois anos o patrimônio declarado pelo Sargento Lopes ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aumentou sete vezes. Em 2018, quando concorreu como candidato ao cargo de deputado federal no Rio pelo PDT, Lopes declarou R$ 84 mil em bens, enquanto em 2020 o total saltou para R$581 mil. Desse valor, pelo menos R$ 160 mil em espécie foram listados. No ano de 2016, quando se elegeu vereador, ele havia declarado pouco mais de R$ 152 mil em bens.

Entre as práticas ilegais que sustentavam o funcionamento da milícia em Suruí estavam a venda de cigarros, furto de combustível, exigência de pagamento de uma "taxa de segurança" para comerciantes locais, monopólio sobre a venda de cestas básicas e gás de cozinha aos moradores, além da imposição de serviço clandestino de TV a cabo.

Sete dos 10 mandados de prisão já foram cumpridos, entre eles André Careca, apontado como o chefe do grupo paramilitar. No momento da prisão ele estava em sua casa, que conta com uma piscina, dezenas de câmeras de segurança e uma miniatura de um blindado do Bope no jardim. Outros três policiais militares da ativa são acusados de integrar o grupo.

– O André é o líder dessa organização criminosa e é uma pessoa muito violenta. Ele já era investigado não só pela Polícia Civil, mas também pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ), e conseguimos hoje cumprir o mandado de prisão. Com ele localizamos dois carregadores e procuramos uma pistola que ele deve ter jogado em algum terreno ou uma casa vizinha - informou Santana, responsável pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense.

Segundo a Justiça, em pouco mais de um ano de atuação, a 1ª Vara Criminal Especializada já ajuizou 201 processos envolvendo 480 réus (107 presos e 373 não presos). Criada para evitar que juízes de fóruns e comarcas do interior fossem ameaçados e dar celeridade aos processos, a vara tem recebido uma média de 29 novos processos por mês. Entre os crimes com maior número de réus registrados até agora estão o de associação criminosa, organização paramilitar/milícia, lavagem de dinheiro e roubo.