Candidato de Castro vence disputa pelo TCE-RJ e expõe racha na campanha ao governo do Rio

O deputado estadual Márcio Pacheco (PSC) foi eleito conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) pelo plenário da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), na tarde desta quarta-feira, com 47 votos. Três outros adversários retiraram as suas candidaturas, após costura liderada pelo governador do Rio, Cláudio Castro (PL), para ver o seu mentor político eleito. Apenas Rosenverg Reis (MDB) e o técnico do TCE-RJ Hans Spring se mantiveram na disputa, mas foram derrotados com 9 e 10 votos, respectivamente. Quatro parlamentares se abstiveram.

A nomeação do Pacheco foi publicada em Diário Oficial extra do governo 15 minutos depois do fim da votação. Durante a sessão, os outros parlamentares o cumprimentavam como "ex-deputado", diante da certeza do desfecho favorável.

Pacheco foi o primeiro deputado estadual denunciado pelo Ministério Público no escândalo da "rachadinha" na Alerj. Segundo o MP, ele recebeu ilegalmente R$ 1 milhão entre 2016 e 2019. Segundo a investigação, os assessores do deputado devolviam até 97% dos salários. Nesta terça-feira, notas falsas que traziam o rosto de Pacheco e a frase "venha para a 'rachadinha' você também" foram distribuídas nos gabinetes da Alerj.

O PL, que apoiava Reis até o início da semana, fechou votos por Pacheco, com o aval do senador Flávio Bolsonaro. A eleição pode gerar impactos na campanha ao governo, já que Rosenverg é irmão de Washington Reis, favorito para vice de Castro.

Val Ceasa, que era apontado como favorito na disputa, mas desistiu após diálogo com Castro, informou aos colegas de plenário que será candidato à próxima vaga da Casa ao TCE-RJ. O posto que Pacheco vai assumir está vago desde fevereiro, quando Aloysio Neves foi aposentado compulsoriamente. A eleição de Pacheco simbolizou uma disputa sem registros recentes na Alerj. Tradicionalmente, a Casa escolhe um único nome para ser referendado pelo plenário.

O deputado federal Daniel Silveira (PTB), que chegou a ser preso por ataques à democracia e a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), foi um dos que não perderam a oportunidade de ir ao plenário da Alerj cumprimentar Pacheco pela vitória. Ele foi aplaudido pela base de Castro a pedido de Rodrigo Amorim (PTB).

Rosenverg, que passou a ter poucas chances após o governador ter pedido votos a Pacheco, se viu com menos apoios do que o técnico do TCE-RJ, apontado anteriormente como azarão. As bancadas do PSOL e do PT concentraram seus votos em Hans, como forma de protesto.

— Infelizmente o Poder Executivo desequilibrou a balança, tornou a competição desigual. Essa vaga não era para ter sofrido qualquer influência do Poder Executivo. Mas política é assim, um dia a gente ganha, um dia a gente perde. A vida continua, outras vagas surgirão.Fico muito triste que o nosso estado hoje passe por isso, dependa da influência do governador em uma vaga que é exclusivamente indicação da Casa Legislativa. E me preocupa muito a ausência de pronunciamento da Casa em relação à interferência do Executivo — afirmou Hans, que não descarta uma candidatura futura à uma vaga como deputado estadual.

Alexandre Freitas, Dr. Deodalto e Val Ceasa, que abriram mão de competir, votaram em Pacheco. A reviravolta com a intromissão de Castro gerou protestos de servidores da Alerj, que faziam gestos de "roubado" a cada voto dado a Pacheco.

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