Candidato entubado com Covid vira motivo de guerra política no 2º turno de Goiânia

Bruno Góes
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Divulgação / MDB
Divulgação / MDB

BRASÍLIA — A disputa pelo segundo turno à prefeitura de Goiânia transformou-se em uma guerra política com acusações sobre a exploração eleitoral do estado de saúde de um dos candidatos. Maguito Vilela (MDB), que recebeu 36,02% dos votos válidos, tem 71 anos e está internado há quase um mês em São Paulo, no Hospital Albert Einstein. Após contrair a Covid-19, ele alternou períodos de evolução e regressão no quadro clínico. Precisou ser entubado em duas ocasiões. O último procedimento foi realizado no domingo, dia da eleição. Adversário de Maguito, Vanderlan Cardoso (PSD), que obteve 24,67% dos votos, nega tirar proveito da situação para ganhar votos.

Procurada pelo GLOBO, a campanha de Maguito Vilela diz que, no dia da eleição, viralizou entre eleitores um áudio em que uma pessoa anunciava a morte do candidato do MDB. A reação oficial veio em uma nota na qual a campanha repudiava "com veemência o jogo sujo de adversários que estão espalhando boatos sobre o estado de saúde do candidato".

"Infelizmente, diante da derrota acachapante nas urnas no 1° turno, há quem use dos piores artifícios da velha política para desinformar o eleitor. Isto é sinal da falta de caráter de quem faz tudo pelo poder e não respeita nem a luta do candidato contra a COVID-19. O estado de saúde de Maguito, conforme divulgado pelo Hospital Albert Einstein, é regular e ele foi entubado para passar por uma broncoscopia para verificar de forma mais precisa a causa da inflamação nos pulmões", dizia o comunicado.

Após a posição do MDB ser divulgada, revoltado, Vanderlan recorreu às redes sociais para dizer que sua campanha sempre dirigiu "orações" ao adversário. Acusou ainda o filho de Maguito, Daniel Vilela, que é presidente do MDB em Goiás, de fazer acusações sem fundamento. Daniel participa ativamente da campanha.

"Com o candidato ausente, evitamos os ataques políticos, mesmo quando os líderes da campanha de Maguito, sem autorização do candidato, doente, se aliaram a outros candidatos para atingir Vanderlan, tentando evitar uma vitória no primeiro turno. Se existe dúvida sobre a real condição de saúde de Maguito, isso se dá pela falta de transparência do presidente do MDB na condução da campanha, fazendo parecer que a busca pelo poder vale mais do que a saúde do próprio pai".

Ambos os candidatos disputam o legado político de Íris Rezende (MDB), atual prefeito que já foi eleito três vezes para o cargo. O governador do estado, Ronaldo Caiado (DEM), por sua vez, é aliado de Vanderlan.

Desde que foi internado, Maguito já teve comprometimento de 75% dos pulmões. Nesta segunda-feira, a campanha diz que o candidato "permanece na UTI com ventilação mecânica invasiva. Maguito está sedado e com as funções vitais preservadas".