Candidato de oposição vê eleição como 2º grito de independência do Equador

SYLVIA COLOMBO, ENVIADA ESPECIAL

QUITO, EQUADOR (FOLHAPRESS) - Sob aplausos e gritos de "Correa, amigo, o povo está contigo", o presidente do Equador, Rafael Correa, votou na manhã deste domingo (2), na escola San Francisco, em Quito, logo após serem abertos os postos em todo o país, às 7h (9h, hora de Brasília).

Na saída, disse a jornalistas que a América Latina "vem vivenciando uma reação conservadora nos últimos anos e as eleições equatorianas são muito importantes para ver se essa tendência continua ou se a tendência progressista retoma sua força".

Acrescentou ainda que, por conta disso, a votação que ocorre neste domingo no país é importante "não apenas para a Pátria Grande [como se refere à América Latina], mas também para o mundo inteiro que nos assiste."

Correa também pediu calma aos grupos de eleitores, que nos últimos dias anunciaram por meio de redes sociais que farão atos assim que se fecharem as urnas caso suspeitem de fraudes ou outras irregularidades.

"Chamo a todos para que votem de modo massivo e com amor, não com ódio. Se as concentrações que estão sendo convocadas são para celebrar, não vejo problemas, se é para expressar ódio, nós as rejeitaremos", completou.

Disse, também, que está preocupado em realizar uma "transição pacífica" e que já montou um time para preparar a transição ao sucessor e entregar "um país estável e em boas condições" ao próximo presidente.

Correa não se referiu especificamente a seu candidato, Lenín Moreno, que segue adiante nas pesquisas com ligeira vantagem. O mandatário manteve, assim, sua posição de apoio discreto a seu herdeiro político.

LASSO

Já o candidato oposicionista, Guillermo Lasso, votou na escola Batalla de Tarqui, em Guayaquil, e disse que este domingo será o do "segundo grito de independência do Equador, e se escutará em toda a América Latina".

Lasso também usou os acontecimentos recentes na Venezuela, em que o governo de Nicolás Maduro retirou as atribuições legislativas do Congresso (devolvendo-as dois dias depois), como alerta sobre o que pode ocorrer no Equador caso Lenín Moreno vença.

"O que está em jogo agora é se queremos seguir o caminho da Venezuela ou o caminho da paz e da liberdade".

As urnas serão fechadas às 17h (19h de Brasília), quando se conhecerão os resultados das pesquisas de boca de urna. Os primeiros resultados oficiais serão conhecidos por volta das 21h (23h em Brasília).