Candidato a prefeito de Magé alvo de ação contra a milícia afirma ser vítima de 'guerra política'

Filipe Vidon e Jan Niklas
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O candidato à Prefeitura de Magé André Antonio Lopes do Nascimento (PSD), o Sargento Lopes, um dos alvos de uma operação realizada nesta segunda-feira (9) pela Polícia Civil contra a milícia na Baixada Fluminense, negou envolvimento com o crime e afirmou ser vítima de uma “guerra política”. Ao todo, 16 pessoas foram denunciadas e 10 mandados de prisão e 64 de busca e apreensão, expedidos. Contra o PM reformado e vereador Lopes não havia mandado de prisão, mas um de busca e apreensão expedido pela 1ª Vara Criminal Especializada do Tribunal de Justiça. Ele teve o celular recolhido.

“É uma guerra que só pode ser política. Faltando uma semana (para a eleição) chega uma operação na sua casa. Não ando ostentando arma, não ameaço ninguém. Eu desafio qualquer um que eu tenha exigido até um cafezinho de graça, desafio qualquer um a falar que bati na porta e pedi dinheiro como milícia faz”, disse Lopes, em uma live feita em seu Facebook.

Segundo a denúncia, a milícia que atuava no bairro de Suruí, em Magé, agia de forma “setorizada, instalando verdadeiro regime de terror em alguns bairros do município”. Segundo as investigações, integrantes deste grupo são autores de homicídios e casos de tortura na região, com a suposta intenção de “manter a ordem e impor seu domínio territorial”. Em entrevista à TV Globo, o delegado Moyses Santana afirmou que o Sargento Lopes e o filho, conhecido como Andrezinho, são suspeitos de atuar facilitando a operação do grupo.

“Nós detectamos durante as investigações que havia um vínculo forte do Sargento Lopes com essa organização, principalmente o filho dele, que também é PM e alvo de buscas. Atuavam juntos com a organização para facilitar os trabalhos, sem oprimir os crimes praticados”, disse o delegado à TV Globo.

Sete dos 10 mandados de prisão expedidos foram cumpridos. Um dos presos foi um suspeito identificado como André Careca, apontado pela polícia como o chefe do grupo paramilitar. Durante as buscas, os agentes apreenderam um revólver, facões e dinheiro no bairro Suruí.

Na live, Lopes afirmou que foi acordado pela polícia e elogiou a maneira respeitosa com que os policiais o trataram durante a revista. O candidato também disse que a polícia encontrou três armas de fogo em sua residência, todas com a documentação exigida. Ao comentar que sua filha estava em casa na hora da busca e apreensão, ele chorou e disse ainda que o neto passou mal devido ao susto com a operação.