Candidatos à Presidência do Peru baixam tom de ataques em dia de eleição

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BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Em um longo dia de votação neste domingo (6), com urnas abertas por 12 horas e divisão dos eleitores em faixas de horário para evitar aglomerações devido à pandemia de coronavírus, os candidatos ao segundo turno à Presidência do Peru baixaram o tom dos ataques que vinham trocando até aqui.

Tanto o esquerdista Pedro Castillo, 51, que chegou à frente no primeiro turno, como a direitista Keiko Fujimori, 46, deram declarações pouco agressivas sobre a votação e seus opositores. O discurso comedido destoou daquele visto na campanha eleitoral, em que houve troca de farpas e ameaças mútuas.

Keiko afirmava que Castillo significaria o caminho do Peru para se transformar na Venezuela, e Castillo dizia que a adversária seria uma continuação da gestão cheia de abusos de direitos humanos como foi a de seu pai, Alberto Fujimori (1990-2000).

Como é tradição no país, ambos os candidatos realizaram os cafés da manhã eleitorais, em que se reúnem com apoiadores e familiares antes da jornada de votação. Keiko preferiu fazê-lo num dos bairros mais pobres de Lima, San Juan de Lurigancho, ao ar livre.

A direitista prometeu respeitar o resultado, diferentemente de outros anos, em que fez acusações de fraude. Ela já foi candidata em 2011 e em 2016, perdendo ambas as vezes no segundo turno. "Não sabemos qual será o resultado, mas, seja qual for, ratifico nosso compromisso de respeitar a vontade popular, de dizer que será a decisão que nosso país defina se tenho que servir como presidente do Peru ou como uma simples cidadã", afirmou.

Já Castillo, numa mesa ao ar livre, diante de sua casa em Cajamarca, também repetiu que aceitará os resultados. "Vamos respeitar a democracia. Estamos aqui para nos apresentar para tentar oferecer uma solução para os problemas do Peru. Não apenas quero reafirmar que respeitarei resultados, mas também gostaria de pedir tranquilidade a todos", afirmou.

Keiko votou no fim do dia, em Surco, enquanto Castillo o fez pela manhã, em Tacabamba.

Ainda sem números oficiais de comparecimento às urnas, emissoras locais de televisão afirmavam que muitas mesas de votação tiveram um público escasso. A pandemia e o fato de ambos candidatos terem alta rejeição podem ser parte da explicação.

A expectativa é a de uma apuração dos votos acirrada -segundo a pesquisa mais recente, realizada pelo instituto Ipsos, Castillo somava 51,1% das intenções, e Keiko, 48,9%, um empate técnico, já que a margem de erro era de 2,5 pontos percentuais.

Houve poucos incidentes envolvendo figuras públicas neste domingo. O controverso líder do Peru Libre, partido de Castillo, Vladimir Cerrón, apareceu para votar com uma camiseta da legenda -branca, com gola e bolsos vermelhos-, coberta por uma jaqueta. Isso fere a lei eleitoral e foi denunciado por militantes do fujimorismo. Cerrón é investigado por corrupção, assim como a própria Keiko.

O presidente peruano, Francisco Sagasti -o quarto a ocupar o cargo no atual mandato- votou cedo, às 8h, em Lima, e pediu calma durante a apuração dos resultados. O mandatário afirmou que até seu último dia do cargo irá cumprir a promessa de uma transição pacífica. Também pediu "respeito ao resultado eleitoral" por parte dos dois candidatos.

O vencedor do pleito assume em 28 de julho, dia do bicentenário da independência do país.

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