Candidatos ao Senado levam parentes em chapas

Plenário do Senado. (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)

Sete chapas para o Senado são formadas por parentes, ou seja, pais e filhos, mães e filhos e marido e mulher. O levantamento foi feito pelo G1 e não mostra irregularidades, apenas que se o cabeça de chapa tiver que se ausentar temporária ou definitivamente, a vaga continua dentro da família.

Para o professor da FGV Direito Rio, Michael Mohallem, o ato não é positivo para a democracia e ainda cria uma dúvida quanto à capacidade política dos suplentes.

“É natural que os partidos queiram colocar suplentes com potencial político, com histórico, com trajetória e não simplesmente alguém que tenha relação de parentesco com uma figura importante do próprio partido. Essas duas questões (parentesco e financiador), casos que são comuns, geram uma dúvida muito ruim para o titular e para o partido”, reforça.

A chapa para o Senado é formada pelo titular e por dois suplentes, o primeiro e o segundo. Para estas eleições, 350 foram inscritas no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). E também de acordo com o G1, de 2011 até agora, 41 suplentes se efetivaram no cargo.

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Veja quais são as chapas analisadas:

– Amazonas: em busca de repetir o feito de 2010, o senador Eduardo Braga (MDB) tem a sua mulher como 1ª suplente, Sandra Braga (MDB);

– Maranhão: o senador Edison Lobão (MDB) tenta emplacar seu filho como 1º suplente, Edison Lobão Filho;

– Amapá: já o ex-senador Gilvam Borges (MDB) tenta a reeleição com seu irmão como 1º suplente, Geovani Borges (MDB), e seu filho como 2º suplente, Miguel Gil Borges (MDB);

– Ceará: o empresário da comunicação José Alberto Pinto Bardawil (Podemos) tenta o Senado com seu irmão como 1º suplente, Walter Pinto Bardawil;

– Pará: o deputado federal Wladimir Costa (SD) inovou e trouxe a mãe como 1ª suplente, Lucimar da Costa Rabelo (SD);

– Piauí: o presidente do PP e já senador, Ciro Nogueira, também chamou a mãe como 1ª suplente, Eliane e Silva Nogueira Lima (PP);

– Rio de Janeiro: o último caso, do Pastor Everaldo (PSC), é ainda mais curioso. Ele chamou, primeiro, o irmão, Edimilson Dias Pereira, como 2º suplente. Depois, mudou de ideia e chamou o filho para 2º suplente, Laércio de Almeida Pereira, que é advogado e sócio da “Folha Cristã”. Como 1º suplente, Everaldo chamou um Pereira também, mas, segundo a assessoria de imprensa do candidato, não há nenhum grau de parentesco. O nome é do empresário do setor de transportes, Donizeti de Assis Dias Pereira.