Candidatos avaliam sua participação no primeiro debate

 

Imagens de Paulo Lopes/Futura Press

Por Stella Borges

Os candidatos à Presidência fizeram um primeiro debate morno na noite desta quinta-feira (9), na TV Bandeirantes. Com raras exceções, evitaram ataques diretos e temas polêmicos. Após o debate, em entrevista à imprensa, os presidenciáveis avaliaram sua participação no evento e, em alguns casos, criticaram seus adversários. Veja a seguir:

Jair Bolsonaro

Questionado sobre como avaliava sua participação no debate, o candidato do PSL, um dos primeiros colocados nas pesquisas, respondeu: “Quem tem que avaliar são vocês (imprensa) e quem está em casa. Eu não”, afirmou.

Como tem feito constantemente, especialmente no que diz respeito à economia, Bolsonaro justificou o fato de os candidatos terem tratado genericamente dos temas discutidos.

“O presidente não é maior que seus ministros. Ele tem um conhecimento linear das coisas, quem vai aprofundar no conhecimento é o respectivo ministro. Nenhum presidente pode conhecer de economia, saúde, segurança, agricultura com profundidade. Isso é natural. O presidente tem que ter isenção pra indicar os melhores”, argumenta.

Por fim, o candidato criticou Geraldo Alckmin (PSDB) e sua aliança com o grupo de partidos denominado centrão. “É um circo. O senhor Geraldo Alckmin, caso seja presidente, vai pegar a faixa do Temer e os mesmos ministros vão continuar. É o grande acordo que eles fizeram”.

Geraldo Alckmin (PSDB)

O tucano afirmou que pôde mostrar o que fez em São Paulo enquanto governador, o que classificou como “importante”. Questionado se acreditava ter sido o principal alvo no primeiro encontro entre os presidenciáveis, Alckmin respondeu, bem-humorado: “Tomara, porque o alvo geralmente é o principal”.

Marina Silva (Rede) 

Para a candidata da Rede, o debate faz com que a sociedade tenha a oportunidade de conhecer melhor seus candidatos e comparar suas propostas. Sobre a aliança de Alckmin com o centrão, Marina comparou a situação do tucano com a da ex-presidente Dilma Rousseff, que, em 2014, também fez alianças com alguns desses partidos.

“A sociedade já viu esse filme em 2014 em que as alianças em função de tempo de televisão, sem coerência programática acabaram levando o Brasil para esse fundo do poço”.

Questionada se o ex-presidente Lula, candidato do PT, preso em Curitiba, teria agregado ao debate, Marina desconversou. “Quando se comete erros não ha como se passar por cima da lei. E a lei é para todos”.

Ciro Gomes (PDT)

O pedetista considerou natural que Alckmin tenha sido o candidato mais questionado durante o debate. “Ele é a situação e se apresenta como mudança”, disparou Ciro.

“O partido mais fiel na agenda antipobre, antipovo e antinacional é o PSDB que ele preside. Por falar em decência, o ex-presidente que o antecedeu, Aécio, está respondendo pelo que está respondendo. O secretário braço-direito dele (Laurence Casagrande) está na cadeia. Aí, o cara entrar na viagem de prometer mudança, de falar em mudança, todo mundo vai perguntar”, disse.

Guilherme Boulos (PSOL) 

Um dos rostos menos conhecidos por não ter trajetória política, Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), lamentou a ausência de Lula, segundo ele, “preso injustamente em Curitiba”.

O candidato considerou o debate uma boa oportunidade para se apresentar a população. “A gente ter a oportunidade de falar cara a cara com o povo brasileiro esclarece que nem todos os candidatos estão nos 50 tons de Temer. Porque a maioria dos que estão aí podem falar de renovação à vontade, mas ajudaram a botar o Temer no poder e ajudaram a aprovar as medidas”, disparou.

Cabo Daciolo (Patriota)

O candidato do Patriota disse que estava “ansioso” pelo debate, já que não figura em pesquisas de intenção de voto. “É o primeiro momento em que pudemos passar o nosso programa para o povo brasileiro”, afirmou Daciolo, que roubou a cena durante o debate.

Henrique Meirelles (MDB)

O candidato do MDB criticou seus adversários de forma geral. “Muitos evitaram se apresentar. Eu fui dizer tudo aquilo que fiz, seja no governo Lula (como presidente do Banco Central), no governo Temer (como ministro da Fazenda). São presidentes diferentes, de partidos diferentes, mas eu servi ao Brasil. Tiramos o Brasil da maior recessão da história”, afirmou Meirelles.

Questionado sobre as tentativas de ter sua imagem colada ao presidente Temer ou ao ex-presidente Lula, Meirelles desconversou: “Eu colo a imagem na minha história. E tudo o que fiz foi para o país”.

Álvaro Dias (Podemos)

Dias aproveitou a oportunidade para criticar, novamente, a aliança dos tucanos com o centrão, a qual classificou como “Arca de Nóe”.

“Com essa arca de Noé ninguém governa, não há como governar. Por isso eu acho que está fácil separar joio do trigo. Quem quer manutenção do atual sistema, sabe pra onde ir, vai pra arca de Noé”, afirmou.