Candidatos bolsonaristas em eleições passadas são suspeitos de financiarem ato golpista, aponta AGU

Ao menos dois candidatos em eleições passadas foram identificados pela Advocacia Geral da União (AGU) como suspeitos de financiar o ato golpista em Brasília no último domingo. Segundo a AGU, fretaram ônibus para a capital federal na última semana os bolsonaristas Josiany Duque Gomes Simas, que buscou uma cadeira na Câmara Federal ano passado, e Marlon Diego de Oliveira, candidato em 2020 para a Câmara Municipal de Tupã, São Paulo,

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Relatório da Advocacia-Geral da Uniao (AGU) sobre o fretamento de ônibus usados para transportar manifestantes golpistas mostra que ao menos 2.851 pessoas viajaram a Brasília entre a quinta-feira e o domingo, dia dos atos de terrorismo.O destino da maioria dessas pessoas era o acampamento bolsonarista montado em frente ao Quarte-General do Exército, ponto de partida da horda que invadiu as sedes dos Poderes, deixando um rastro de destruição.

Segundo a AGU, Josiany Simas foi responsável pelo fretamento de um ônibus no dia 6 de janeiro de Cuiabá, no Mato Grosso, para Brasília. A pedagoga tentou se eleger deputada federal nas últimas duas eleições por seu estado. Em 2022, pelo Patriota, recebeu R$ 325 mil repassados pela direção nacional do partido para sua campanha, que não foi vitoriosa. Ela não se elegeu e teve apenas 622 votos no pleito. Nas redes, Josiany se apresenta como "pró armas" e compartilhou dezenas de fotos e vídeos fazendo campanha para o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em 2020 e 2021, ela aparece como beneficiada com 16 parcelas do Auxílio Emergencial, que totalizam 11 mil R$. Procurada, não retornou os contatos da reportagem.

Processado pela prefeitura

Marlon Diego de Oliveira foi candidato a vereador na cidade de Tupã, em São Paulo, nas últimas eleições municipais pelo Progressistas. Na época, o único bem declarado foi uma microempresa de contabilidade financeira avaliada em R$20.000.

Em fevereiro de 2022, a prefeitura de Tupã ingressou com uma ação contra a empresa Finance Expert Ltda Me — que pertence a Oliveira — por loteamento irregular de imóveis, que haviam sido colocados à venda. Além de vetar a comercialização, a Justiça determinou a indenização dos prejuízos já causados ao meio ambiente, bem como a regularização dos loteamentos. O GLOBO não conseguiu contato com o empresário até o fechamento desta reportagem.