Candidatos bolsonaristas usam 7 de Setembro como vitrine eleitoral

BRASÍLIA, DF, 06.08.2022 - SETE-SETEMBRO: Preparativos para os eventos alusivos ao feriado nacional de 7 de Setembro, em Brasília, no Distrito Federal, nesta terça-feira. (Foto: Gabriela Biló/Folhapress)
BRASÍLIA, DF, 06.08.2022 - SETE-SETEMBRO: Preparativos para os eventos alusivos ao feriado nacional de 7 de Setembro, em Brasília, no Distrito Federal, nesta terça-feira. (Foto: Gabriela Biló/Folhapress)

SALVADOR, BA, RIO DE JANEIRO, RJ, PORTO ALEGRE, RS, BELO HORIZONTE, MG, RECIFE, PE, E CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - Candidatos a governador apoiados por Jair Bolsonaro (PL) vão aproveitar o 7 de Setembro para fidelizar a ala mais radical de apoio ao presidente e ganhar visibilidade nos atos que devem misturar a celebração do Bicentenário da Independência com agenda eleitoral e discursos de raiz golpista.

Com discursos que vão de uma suposta luta do bem contra o mal à defesa de valores como o patriotismo e a liberdade, aliados do presidente nos maiores colégios eleitorais convocaram seus eleitores a participarem de atos comemorativos em seus respectivos estados.

Ao contrário de 2021, contudo, a maioria candidatos está focada em suas bases eleitorais e não deve acompanhar Bolsonaro nos atos oficiais que estão previstos para Brasília e Rio de Janeiro.

Uma das exceções é o governador do Rio, Cláudio Castro (PL), que vai acompanhar o presidente desde o desembarque na base aérea, onde Bolsonaro fará uma saudação a apoiadores no ponto de partida da motociata, no monumento dos Pracinhas.

Depois, Castro acompanha Bolsonaro em sobrevoo até Copacabana, onde assistem à cerimônia oficial do Bicentenário da Independência. Há possibilidade de o presidente discursar de um carro de som organizado por evangélicos na orla, a fim de separar o ato político do oficial.

Por fim, o governador deve ciceronear o presidente em um dos camarotes do governo estadual no Maracanã para assistir à semifinal da Libertadores entre Flamengo e Vélez Sarsfield.

Em São Paulo, o candidato a governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) será a principal estrela do ato previsto para a avenida Paulista com a participação de trios elétricos e grupos da direita bolsonarista. Nos últimos dias, em suas redes sociais, o ex-ministro tem feito convocações para o ato.

"A gente tem que transformar o 7 de Setembro num grande dia que a gente vai celebrar os 200 anos da nossa Independência. E a gente tem que mostrar que a gente quer se independente, que a gente quer liberdade", afirmou o candidato em ato político no último sábado (3).

Na Bahia, o também ex-ministro de Bolsonaro João Roma (PL) vai aproveitar a data para fazer um périplo por cinco das maiores cidades do estado. A maratona começa com um ato no Farol da Barra, em Salvador, e depois segue pelas cidades de Feira de Santana, Itabuna, Ilhéus e Jequié. O candidato não participa da solenidade oficial da Independência na capital.

Em um vídeo publicado em suas redes sociais, vestindo uma camisa amarela, Roma convocou os eleitores a "ir para as ruas de forma pacífica por amor à pátria e em defesa liberdade".

Salvador também terá um ato liderado por movimentos sociais de esquerda, que farão o tradicional "Grito dos Excluídos" no Campo Grande, a três quilômetros do protesto bolsonarista.

A maratona deve se repetir em Pernambuco, onde o candidato a governador Anderson Ferreira (PL) vai participar de atos em Caruaru e no Recife.

De perfil conservador, Anderson não tem trajetória no bolsonarismo raiz e deve usar os atos para reforçar a vinculação com o presidente. Seu objetivo é fidelizar eleitores de Bolsonaro e superar concorrentes como Raquel Lyra (PSDB) e Miguel Coelho (União Brasil) na disputa por uma vaga no segundo turno.

"Não temos dúvidas de que vai ser mais um ato histórico em defesa da pátria e da liberdade. Vamos às ruas caminhar ao lado do povo para defender nossas bandeiras e nossos princípios", disse Anderson.

Candidato bolsonarista ao Governo de Minas Gerais, o senador Carlos Viana (PL) participa de ato na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, local que se transformou em ponto de encontro de protestos liderados pela direita desde as manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT).

Em suas redes sociais, Viana convocou manifestantes a comparecer ao ato em favor do presidente e reproduziu discurso pela liberdade usado pelo Bolsonaro em suas críticas aos demais Poderes.

No Pará, o candidato a governador Zequinha Marinho (PL) participa de ato em Belém e fez convocações mimetizando o discurso do presidente sobre pátria, família, liberdade e até "luta do bem contra o mal".

Na contramão de colegas de partido de outros estados, o candidato a governador do Rio Grande do Sul Onyx Lorenzoni (PL) não confirmou participação em ato no Parque Moinhos de Vento, em Porto Alegre.

Candidatos ao Legislativo do PL contam com a presença de Onyx, que está em Brasília de prontidão para os atos com o presidente, mas tampouco confirmou presença no evento na capital federal.

Luis Carlos Heinze (PP), que disputa o voto bolsonarista com Onyx, acompanhará o desfile oficial em Santa Maria, interior do estado, e depois participa de manifestações nas cidades de Santiago e Alegrete.

Em Santa Catarina, o candidato Jorginho Mello (PL) vai para a manifestação em Florianópolis. Já o rival Esperidião Amin (PP) está na capital federal, mas ainda não decidiu se participará das manifestações. Carlos Moisés (Republicanos), que concorre à reeleição, não participará dos atos.

Em estados como Paraná e Ceará, candidatos próximos a Bolsonaro devem evitar manifestações para além das cerimônias oficiais.

O governador e candidato à reeleição Ratinho Júnior (PSD) vai comparecer ao desfile oficial do 7 de Setembro em Curitiba, mas não confirmou presença nos atos bolsonaristas ao lado de seu candidato ao Senado Paulo Martins (PL), que usa a figura do presidente como combustível para sua campanha.

No Ceará, o candidato Capitão Wagner (União Brasil) não vai comparecer a atos de apoiadores de Bolsonaro e participa apenas à cerimônia cívica em alusão aos 200 anos de Independência.

Apesar de ter simpatia do eleitorado bolsonarista, Wagner tem se apresentado na disputa com um discurso mais conciliador, na tentativa de conquistar votos do público refratário a Bolsonaro, que tem rejeição alta no estado.