Candidatos mantêm tradição de café com apoiadores apesar de alta de casos de Covid no Peru

SYLVIA COLOMBO
·4 minuto de leitura

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Em meio a uma alta de casos de coronavírus no país, os candidatos à Presidência do Peru mantiveram uma tradição eleitoral e organizaram generosos cafés da manhã a seus apoiadores, família e a alguns jornalistas. Neste ano, os eventos realizados antes de os presidenciáveis votarem foram em geral menores e ao ar livre. Os "desayunos" eleitorais servem para combinar as últimas estratégias e estimular o voto por meio de mensagens -um movimento importante especialmente neste pleito em que levantamento do Ipsos aponta que as opções de anular o voto e a de não comparecer às urnas somam 30%. A candidata de esquerda Veronika Mendoza foi uma das que mantiveram a prática, com um grupo menor, no quintal da casa de seu pai em Andahuaylillas, na região andina, perto de Cusco. Nas redes sociais, Mendoza pediu que "todos votem com muita precaução e serenidade e acreditem que uma transformação é possível". A segunda candidata mulher --foram apenas 2 em meio a 18 candidatos--, Keiko Fujimori, tomou o café da manhã com o marido e as filhas, de modo privado, em Lima. Em sua declaração, relatou ter comido aveia, uma tradição em sua família, como explicou. "É um alimento muito nutritivo e tradicional. Escolhemos porque minha avó sempre nos dava. Além disso, na cadeia, era o alimento mais importante que eu comia", disse Fujimori, que nos últimos anos esteve num entra e sai da prisão devido ao processo que investiga seu envolvimento no esquema de corrupção da construtora brasileira Odebrecht. Sobre a votação, afirmou que "é preciso esperar com muita prudência e serenidade os primeiros resultados da autoridade eleitoral, até que surjam números reais". O marido de Keiko, o americano Mark Vito, pegou o microfone na sequência e lhe disse: "Eu te amo e este é seu dia", declarou, com os olhos marejados. O café da manhã do candidato George Forsyth, ex-goleiro do Alianza Lima, foi animado e com danças típicas no meio da mesa montada ao ar livre no seu comitê de campanha no bairro de Miraflores, em Lima. Mas o candidato não participou porque está em isolamento desde que recebeu o diagnóstico de Covid-19. O lugar principal da mesa, na cabeceira, ficou vazio, mas uma tela foi colocada ao fundo, por meio da qual Forsyth animou seus apoiadores e agradeceu o carinho. Já o evento do economista Hernando de Soto também foi reduzido e ocorreu em um restaurante no distrito de Santiago de Surco, na capital peruana. Além da família do candidato, estavam presentes algumas celebridades, como o humorista Pablo Villanueva e o ex-jogador de futebol Hugo Sotil. Soto afirmou que, apesar de não ter crescido no Peru, aprendeu a amar os costumes do país andino, como os longos cafés da manhã dominicais em família. "A razão pela qual estou me candidatando é porque estou apaixonado pelo Peru. Durante toda a juventude, tive curiosidade por esse país. Por isso tenho clareza das coisas hoje, mais do que nunca." Apesar de numerosa, a disputa chegou a este domingo indefinida. Dos 18 candidatos, nenhum tem mais de 10% das intenções de voto nas principais pesquisas, e os sete primeiros estão embolados com diferenças que variam de centésimos a cinco pontos percentuais. Para a organização do pleito, as autoridades eleitorais afirmaram ter havido dificuldade para a formação de 20% das mesas de votação no país, situação que, segundo elas, vinha sendo resolvida. Isso porque mesários se ausentaram do compromisso, provavelmente por medo da propagação do coronavírus. Neste sábado (10), na véspera do dia da eleição, o Peru registrou seu recorde de mortes em 24 horas desde o início da pandemia de coronavírus, com 384 óbitos registrados, elevando o total para 54.669 vítimas. O número veio em uma sequência de altas --antes deste sábado, a maior marca alcançada era de 314 mortes, na quarta-feira (7)-- e em meio a hospitais saturados, falta de oxigênio e um esforço do governo para obter vacinas suficientes. O Peru soma ainda mais de 1,6 milhão de casos de Covid-19 desde o início da pandemia, segundo dados do governo. De acordo com dados do Our World in Data, até quinta (8), apenas 1,9% da população havia recebido ao menos uma dose da vacina.