Candidatura de Arthur Lira à Presidência da Câmara avança sobre a esquerda

Ana Paula Ramos
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Arthur Lira (PP-AL) apresenta pautas para conquistar o apoio do PT à sua candidatura (Foto: Maryanna Oliveira/ Câmara dos Deputados)
Arthur Lira (PP-AL) apresenta pautas para conquistar o apoio do PT à sua candidatura (Foto: Maryanna Oliveira/ Câmara dos Deputados)

Os votos dos partidos da esquerda na Câmara dos Deputados serão os “fiéis da balança” na eleição para a presidência da Casa em fevereiro. As legendas somam 132 deputados e ainda não definiram qual será o candidato apoiado.

O bloco do atual presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), deve escolher um nome até o final desta semana. Maia já anunciou um grupo que conta com seis partidos e 157 deputados: PSL, MDB, PSDB, DEM, Cidadania e PV.

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Candidato à presidência da Câmara com o apoio do presidente Jair Bolsonaro, Arthur Lira (PP-AL) tem apoio de sete partidos - PSD, PROS, Avante, Patriota, PL, SD e PSC - reunindo cerca de 160 deputados.

A bancada do PSB na Câmara dos Deputados está dividida entre as candidaturas de Lira, líder do PP, e o nome definido pelo bloco de Rodrigo Maia.

Os deputados João Campos e JHC, eleitos prefeitos de Recife e de Maceió, respectivamente, estão encabeçando o apoio a Lira dentro do partido. Eles alegam que o candidato de Jair Bolsonaro se empenhou nas campanhas dos dois no Nordeste. Além disso, ele seria acessível e poderia ajudar no difícil relacionamento do governo com prefeitos e governadores da oposição.

O governo Bolsonaro está empenhado na eleição à presidência da Câmara e, segundo parlamentares, está condicionando a liberação de emendas ao votos em Lira na eleição.

No entanto, João Campos e JHC não vão votar na eleição para a presidência da Casa, em fevereiro, pois já terão assumido os mandatos de prefeito.

De acordo com deputados do PSB, 18 dos 31 parlamentares defenderam o nome de Lira durante reunião realizada na quarta-feira (9).

O líder do partido, Alessandro Molon, negou que a bancada tenha deliberado a favor de Lira no encontro.

Em nota, Molon afirmou que “ficou decidido que se prepararia um documento para ser apresentado aos candidatos à presidência e que os mesmos seriam ouvidos pela bancada”.

O líder do PSB é contrário a Arthur Lira e defende que o grupo espere a definição do nome do bloco de Rodrigo Maia.

O presidente do partido, Carlos Siqueira, e o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, almoçaram com Maia e cobraram a escolha do candidato, mas não descartam a composição com o líder do PP.

O PT, que tem a maior bancada da Câmara, foi procurado pelo deputado Arthur Lira, que se comprometeu com três pautas defendidas pelos petistas: combate ao lava-jatismo, mudanças na Lei da Ficha Limpa e um projeto que permita uma nova forma de financiamento dos sindicatos.

Os deputados do PT afirmam que vão se reunir na sexta-feira (11) para definir o posicionamento.

Nesta semana, Lira se reuniu ainda com a bancada do PCdoB, que ficou de enviar uma pauta de compromissos necessários para fechar apoio ao líder do PP.

Maia também perdeu apoio de Marcos Pereira (Republicanos-SP), que disse que vai se lançar como terceira via à presidência da Câmara. Mas seu partido, o Republicanos, articula para apoiar Lira na disputa.

Nos bastidores, o deputado reclamou que o atual presidente da Câmara estaria privilegiando Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) em detrimento dos demais possíveis candidatos do bloco.

O Planalto também ofereceu cargos para o partido em troca da adesão à candidatura de Arthur Lira. Com 33 deputados na bancada, o Republicanos garantiria a maioria ao postulante preferido por Bolsonaro.

Por outro lado, o PP também está dividido entre Lira e Aguinaldo Ribeiro, nome preferido por Maia. Aliados avaliam que o partido deve fechar com Lira, devido ao crescimento de sua candidatura, graças às benesses prometidas pelo Palácio do Planalto.