Candido Mendes prevê 20 novos polos de EAD no Rio, além de venda de imóveis para pagar credores

Glauce Cavalcanti
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RIO - Dez meses após pedir recuperação judicial, a Candido Mendes (Ucam) prevê voltar à geração de caixa positiva este ano. Fez uma forte reorganização na oferta de cursos e unidades, focando na expansão da base de alunos pelo ensino a distância (EAD). Agora, negocia acordo com uma rede privada de educação básica, que vai permitir implementar mais 20 polos de EAD na cidade do Rio. E, em paralelo, planeja a venda de imóveis que não estão sendo utilizados para pagar sua dívida com credores.

A estimativa é que a assembleia de credores para votar a aprovação do plano de recuperação judicial seja realizada entre maio e junho. A partir da homologação do plano, a meta é pagar os credores trabalhistas em um prazo de até dois anos e meio. Os demais credores terão seus pagamentos quitados em até oito anos. Ao todo, ao pedir proteção à Justiça em maio de 2020, a universidade somava R$ 400 milhões em dívidas.

— Precisaremos dispor de quase R$ 100 milhões para quitar créditos da dívida no primeiro ano após a homologação do plano de recuperação. E a geração de caixa ainda não será suficiente para cobrir esse valor. Então, vamos vendendo os imóveis aos poucos, dentro do necessário — explica Celso Viana, pró-reitor jurídico da Candido Mendes.

A universidade deve gerar R$ 20 milhões em caixa este ano, explica ele, com um faturamento estimado em R$ 113 milhões, um crescimento de 21% sobre 2020. Esse aumento é resultado do ajuste na operação da universidade carioca, que cortou R$ 27 milhões em despesas a partir da reorganização da operação, sustentada pelo avanço no EAD.

Na lista de imóveis que poderão ser vendidos estão cinco andares do prédio da Ucam na Rua da Assembleia, no Centro do Rio, a um preço médio avaliado entre R$ 12 milhões e R$ 13 milhões cada, conta Viana. Há ainda um imóvel em São Conrado e outro na Praça Pio X, também no Centro, ambos avaliados em R$ 50 milhões. Ao todo, os ativos imobiliários da Candido Mendes somam R$ 500 milhões.

A proposta é que todos os credores recebam um pagamento no valor de até R$ 30 mil nos primeiros 12 meses após a homologação do plano de recuperação. Entre os que têm créditos trabalhistas para receber, o saldo remanescente a esse valor será quitado nos 18 meses seguintes, mas com desconto de 35%.

Caso o credor trabalhista tenha créditos acima de 150 salários mínimos, ele migra para a regra aplicada à classe dos chamados credores quirografários, em geral fornecedores e que não são prioritários nos pagamentos. Esse grupo vai receber — além dos R$ 30 mil já previstos para todos — até R$ 50 mil no primeiro ano e até outros R$ 50 mil no segundo ano. Dali em diante, o que restar a ser pago terá uma redução de 50%, quitado em seis parcelas anuais.

Entre os credores financeiros, o principal é o Banco do Brasil, com uma dívida de R$ 2,4 milhões a receber. O acordo para o pagamento do banco segue em negociação.

Acordo crescer o EAD no Rio

A Candido Mendes ampliou em 13 o número de polos de EAD, totalizando 33. E fez uma reorganização de sua estrutura e oferta acadêmicas.

— Nos dedicamos à otimização de contratos e de custos. Racionalizamos a oferta de disciplinas, focando nos cursos em que temos tradição reconhecida: Direito, Economia, Administração. Mantivemos foco no alunado, ampliando nossa atuação em ensino a distância (EAD), com a abertura de 13 novos polos. E estamos concluindo um novo modelo de pós-graduação lato sensu (de especialização) — explica o pró-reitor comunitário Cristiano Tebaldi.

A base de alunos saltou de dez mil, no primeiro semestre de 2020, para 11.500 agora. É o pilar principal de trabalho de uma universidade que vinha encarando uma baixa de dois mil estudantes por semestre até pedir recuperação. O avanço vem puxado pelo EAD, que dobrou o número de alunos para perto de quatro mil.

A Candido Mendes fechou duas de suas 13 unidades físicas, que ficavam em Campo Grande e na Penha, migrando seus alunos para outras filiais. Entre os novos polos de EAD estão os de Rio das Ostras, Nova Iguaçu, Vitória e Teresópolis, entre outros. Agora, a universidade negocia com um grupo que atua na educação básica no Rio a instalação de novos polos em unidades de ensino médio do parceiro.

— É um acordo em vias de ser fechado. Vai permitir abrirmos 20 polos na cidade do Rio, em localidades como Barra da Tijuca e Campo Grande — afirma Tebaldi.

Na grade de cursos presenciais, o foco está na manutenção dos mais premium: Direito, Economia, Administração, Engenharia. Os demais foram migrados para o modelo digital. No total, são 23 cursos. A Ucam está concluindo ainda o novo modelo de pós-graduação, inserido em uma plataforma unificada para gestão da oferta de cursos, disciplinas, professores e certificação. É esforço para ganhar eficiência operacional e cortar custos, diz o pró-reitor.