Canoa havaiana: dupla niteroiense bate recorde de remada mais extensa do Brasil

Giovanni Mourão
·3 minuto de leitura

NITERÓI — O sonho era concluir, em até dois meses, a mais extensa remada de canoa havaiana sem barco de apoio já feita no Brasil. Mas o resultado surpreendeu: a aventura projetada pelos atletas Gabriel Mattos e Rodrigo Fernandez durou somente 42 dias. Foram 1.042 quilômetros do Hoa Aloha Hoe Wa’a — clube em Charitas onde ambos atuam como instrutores — até a Lagoa da Conceição, em Florianópolis. A dupla de 26 anos, moradora de Jurujuba, passou por quatro estados entre 4 de janeiro e 14 de fevereiro.

Em uma canoa OC2 (para duas pessoas), eles bateram o recorde nacional que, até então, era de uma jornada de 460 quilômetros feita por seis remadores (OC6), que foram do Rio de Janeiro até Santos.

Foram 30 dias de remo e 12 de descanso, momentos em que foram acolhidos em pousadas, campings e clubes de canoa havaiana. Os estudantes de Educação Física navegaram por rios e entre ilhas, além de enfrentarem o mar aberto, tendo a oportunidade de contemplar pontos turísticos e praias paradisíacas do Sul e do Sudeste, como Ilha Grande (RJ), Ilha Bela (SP), Ilha do Mel (PR) e Balneário Camboriú (SC).

Antes disso, a maior jornada já feita por eles a bordo de canoa havaiana tinha durado nove dias. Mas a dupla conseguiu reservar dois meses de suas rotinas para traçar um plano maior, com o apoio financeiro de rifas feitas no clube onde trabalham, materiais doados por patrocinadores e kits de alimentos criados por nutricionistas de uma loja de suplementos em Itacoatiara, conta Mattos.

— Foi uma expedição totalmente a remo: não tínhamos barcos de apoio, equipe em terra, vela para aproveitar o vento e nenhum outro auxílio externo. Éramos apenas nós dois, nossos braços, nossa canoa e nosso sonho. Navegamos com o objetivo mais ancestral da canoa havaiana, explorando novos lugares e vivendo novas experiências. Vimos botos, baleias e até tubarões — resume o niteroiense.

Antes da aventura, Mattos e Fernandez estudaram o percurso e se planejaram durante seis meses que, segundo eles, foram essenciais para que, mesmo com eventuais intercorrências, a missão continuasse segura e executável. A viagem transcorreu no início do ano, período em que a natureza costuma colaborar com ondas pequenas e ventos favoráveis.

Ainda assim, quem continuava ditando quando se devia ou não embarcar para um novo dia de expedição era a natureza. É o que explica Fernandez:

— O mar é quem manda. E os clubes por onde passamos, as experiências que trocamos, as lições que aprendemos, as amizades que cultivamos e o amadurecimento gerado por uma viagem como essa são um capítulo à parte da conquista.

Triângulo dos aflitos

A dupla conta que, quando percebeu, já tinha remado todo o litoral norte de São Paulo, chegando a Santos, perto da metade do objetivo final. E esse era o trecho que mais os deixava aflitos: existem poucos relatos de experiências com canoa havaiana naquela região, que tem praias quilométricas (reservas ambientais) e desembarques com faixa de arrebentação longas e ondas de diversas formações.

— Precisávamos manter muita calma e saber agir em cada momento, para que nada saísse do controle. E, nesse momento, o respeito ao mar é o que faz tudo se tornar possível. Conseguimos atravessar esse turbilhão e chegamos na Ilha Comprida (SP). De lá, fomos até a Ilha do Mel e passamos por comunidades caiçaras na beira do rio, constatando o quanto essa cultura ainda resiste e protege nossas águas — detalha Mattos.

Na chegada a Florianópolis, na Lagoa da Conceição, a dupla foi recebida por diversos clubes de canoa, uma recepção carregada de muita energia positiva, contam os atletas, que ficaram mais de uma semana na cidade desfrutando as praias da ilha, remando nos clubes e conhecendo pessoas que vivem em prol do esporte.

— Nós, como profissionais de Educação Física, instrutores, atletas, expedicionários e amantes do esporte, acreditamos na profissionalização e expansão da modalidade e trabalharemos firme para contribuir com isso — diz Fernandez.

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