Cantora trans, Rafa Villella é dirigida por Cleo em seu primeiro clipe, após passar por experiências com prostituição e drogas

  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
·4 min de leitura
Neste artigo:
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.

“Minha história rende um filme. Eu só estou esperando ela dar mais certo para, quem sabe, concretizar”, diz Rafa Villella, ela mesma admirada com os caminhos percorridos em seus 30 anos de vida. Por enquanto, está rendendo música. Nesta sexta-feira (15), a ex-backing vocal de Pabllo Vittar e de Luísa Sonza se lança, oficialmente, na carreira musical com o single “Eu só sei brilhar”, num clipe dirigido por Cleo. A gravação aconteceu na mansão dos Pires Morais, em Brasília, onde Rafa se recolheu durante os primeiros meses de pandemia.

— Fiquei lá de março a dezembro do ano passado. Virei a filha travesti da Gloria Pires (risos). Acordava e dava de cara com Ruth, que de Raquel não tem nada. Que poço de humildade, inteligência, classe... Me senti muito acolhida! — conta ela, que ganhou mais seguidores curiosos no Instagram: — Eu fazia tantos stories, que virou praticamente um “Big Brother” da família, com todo mundo ligado.

Leia também:

Desde que se conheceram, em 2018, Rafa e Cleo não se desgrudaram mais.

— Rafa é como uma irmã pra mim, fez mais do que sentido ela estar comigo e com a minha família na pandemia, quando todo mundo precisava dessa rede de apoio. Estamos presentes uma na vida da outra em diversos sentidos, sempre nos apoiando. A gente se conheceu assim que eu iniciei o meu projeto musical, e ela foi uma das pessoas que acreditaram em mim até mais do que eu mesma. Na primeira vez que trabalhamos juntas, já dava pra ver que Rafa é luz e talento. Toda a luta dela e trajetória na indústria da música, que pode ser muito cruel em seu conservadorismo, mexe comigo diariamente — diz Cleo.

Leia também:

No clipe, as duas ressignificam o ódio à comunidade LGBTQIAP+. Em cena, Rafa recebe uma mensagem no celular dizendo que ela não é uma mulher de verdade, desejando que suma do mapa.

— Aí, minhas lágrimas caem num copo, eu tomo um banho delas e saio de uma piscina bem diva, toda no brilho, arrasando — narra a artista: — A letra da música também fala do desejo oculto. Sempre é bom lembrar que o Brasil é o país que mais nos mata e, ao mesmo tempo, o que mais consome pornografia trans. É muita hipocrisia, falso moralismo!

A encenação é reflexo da realidade diária de Rafa. Por incentivo da amiga-irmã, ela aderiu à terapia também para superar a enxurrada de preconceitos:

— Por eu falar sempre em Deus e ser trans, muita gente se choca e reage me agredindo. Em dias que não estou muito bem, esse ataque bate diferente, é claro. Mas não dar tanta importância é um exercício constante: “Me odeia? Ok, próximo!” .

Nascida em Belford Roxo, na Baixada, filha de um pastor e uma ministra da música da Igreja Batista, Rafa se sentia uma criança diferente, mas não entendia por quê. Na adolescência, apaixonou-se pelo garoto mais popular da escola. Os dois viajaram para um intercâmbio no exterior. Seis anos depois, de volta, o namoro acabou, e ela iniciou sua transição de gênero. Quanto mais feminina ficava, pela ação hormonal, mais causava estranheza:

— Fui demitida da coordenação de um curso de inglês por causa da minha aparência. Meus pais também não me aceitaram. Hoje, com tudo acertado entre a gente, eu entendo o lado deles. Mas eles sabem que erraram quando disseram: “É Rafael em casa ou Rafaela fora”.

Abrigada num apartamento luxuoso por uma trans que era garota de programa, Rafa descobriu na prostituição um modo de sobrevivência.

— Chegava a fazer oito programas por dia, lucrava até R$ 30 mil por mês — revela a loura, que saiu dessa vida quando iniciou uma história de amor com um cliente milionário: — Dois capricornianos, ambiciosos e apaixonados. Ele pediu a minha mão, foi o responsável por eu voltar a falar com meus pais após três anos. Era o homem da minha vida...

Leia também:

Mas o tal “príncipe encantado” a abandonou. E Rafa foi do auge ao fundo do poço, entregando-se às drogas. Numa quase overdose de cocaína, pediu ajuda aos pais. E resolveu apostar suas fichas na música, sua paixão desde a infância, quando cantava na igreja. Numa live, se apresentou ao produtor e empresário Diego Timbó, sendo chamada para trabalhar na produção musical de Iza. Em seguida, foi convidada por Pabllo Vittar a integrar sua banda. E depois por Luísa Sonza.

— Cantar é uma responsabilidade, uma via para transformar vidas. Quero ser uma estrela no sentido de iluminar os caminhos alheios. Sucesso só pelo sucesso não me interessa. Quero fazer música de qualidade, pra nenhum preconceituoso poder falar mal, e ampliar minha voz em favor da população trans. Vamos fazer uma revolução! — anuncia Rafa, que nesta sexta-feira (15), às 18h, no YouTube, apresenta uma live solidária com Cleo, Whindersson e Karol Conká, entre outros apoiadores.

Ano que vem, ela ainda surgirá como atriz no longa-metragem “Me tira da mira”, produzido por Cleo:

— Eu, Silvero Pereira e Kaysar somos os bandidos da história, que ainda tem Sergio Guizé, Stenio Garcia, Vera Fischer, Fábio Júnior, Fiuk, Viih Tube... E é só a minha estreia no cinema, tá?

Leia também:

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos