Caoa Chery paralisa produção na unidade de Jacareí, em São Paulo

SÃO PAULO - A produção de veículos da Caoa Chery, na fábrica de Jacareí, interior de São Paulo, será paralisada e a unidade deverá passar por adaptações para produzir carros elétricos. A planta tem 600 funcionários e, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, os 370 que trabalham na linha de produção serão demitidos. A fábrica produz os modelos Tiggo 3x e Arrizo 6 Pro.

Em nota, a montadora informou que a paralisação será temporária. A Caoa Chery afirma que as adaptações na unidade fazem parte da estratégia de eletrificar todos seus veículos até 2023.

"A unidade fabril passará por mudanças para adequação dos processos produtivos que permitirão a introdução de novos produtos concebidos a partir de plataformas de última geração, equipados com propulsores híbridos ou 100% elétricos", diz a nota, enfatizando que a unidade de Jacareí adotará os mesmo padrões da unidade de Anápolis, em Goiás.

Sobre demissões, a montadora não dá números, mas revela que está em negociação com os representantes do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos "para a definição de um pacote de indenização suplementar, além do regular pagamento das verbas rescisórias legais, seguindo o seu compromisso de respeito aos trabalhadores".

A Caoa Chery diz na nota que seguirá prestando atendimento aos clientes dos modelos fabricados em Jacareí, mantendo total assistência técnica, garantias, peças e serviços em suas mais de 140 concessionárias no país.

A fábrica de Jacareí foi inaugurada pela Chery em 2014. Os investimentos à época foram de US$ 400 milhões. A montadora chinesa queria aumentar sua participação de mercado, mas as vendas não cresceram. Em 2017, a Caoa se uniu à Chery e assumiu metade da operação da montadora.

A Caoa Chery tem outra unidade em Anápolis, em Goiás, onde são fabricados os modelos SUVs Tiggo 5x, Tiggo 7 Pro e Tiggo 8. A fábrica foi inaugurada em 2001 e também produz alguns modelos da Hyundai. O site da montadora informa que as duas unidades tem capacidade de produzir 150 mil veículos por ano.

O mercado automotivo vem sendo afetado pela falta de componentes, especialmente semicondutores. Isso levou à paralisação de diversas unidades e queda nas vendas. Em abril, houve nova retração, segundo a Fenabrave, a associação que reúne as concessionárias.

Foram vendidos 136.341 automóveis e comerciais leves em todo o país. O número é 16,8% menor que o registrado no mesmo período de 2021, quando foram vendidas 163.867 unidades.

Com falta de componentes, as montadoras têm optado por dar férias coletivas aos funcionários. Nesta semana, a Volks divulgou que os 2,5 mil trabalhadores da produção da Volkswagen, na fábrica de São Bernardo do Campo, entrarão em férias coletivas em função da falta de componentes. Os metalúrgicos ficarão fora da fábrica por 20 dias, de 9 a 28 de maio.

O coordenador-geral da representação Sindicato dos Metalúrgicos do ABC na Volks, José Roberto Nogueira da Silva, destacou que além dos semicondutores outros componentes e peças começaram a faltar e afetar a produção na montadora.

Em nota, a Volkswagen do Brasil confirmou que a fábrica de São Bernardo do Campo terá 20 dias de férias coletivas para os dois turnos, em razão da falta de semicondutores, a partir do dia 9 de maio.

No ano passado, em agosto, a montadora havia dado dez dias de férias coletivas para cerca de dois mil funcionários da unidade em Taubaté. Em julho, a mesma unidade havia ficado paralisada por vinte dias também por falta de peças. Antes disso, a empresa já havia parado ao menos outras duas vezes.

No ínicio de abril deste ano, a Mercedes-Benz colocou 5,6 mil funcionários de São Bernardo do Campo e de Juiz de Fora em férias coletivas. A paralisação ocorreu entre 18 de abril nesta semana. Segundo a empresa, o principal motivo é a razão da crise global e falta de componentes. Perto de 5 mil funcionários ficaram parados em São Bernardo do Campo e 600 em Juiz de Fora.

A Anfavea, associação que representa a smontadoras, em conjunto com outras entidades, como a Associação Brasileira de Semicondutores (Abisemi) e a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), além de universidades, criou um projeto junto ao governo brasileiro no sentido de criar condições para ter uma indústria de semicondutores.

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