Capitão Wagner, candidato ao Governo do CE, fica em cima do muro sobre Bolsonaro

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - Capitão Wagner (União Brasil), candidato ao Governo do Ceará, preferiu não declarar apoio público a candidatura do presidente Jair Bolsonaro (PL) à Presidência.

Em participação na sabatina promovida pela Folha de S.Paulo e pelo UOL nesta quarta (10), o candidato afirmou que a aliança que o apoia possui quatro candidatos ao Palácio do Planalto, incluindo a senadora Soraya Thronicke, do seu partido.

Mesmo questionado sobre seu apoio à atuação de Bolsonaro, Capitão Wagner não determinou apoio total e disse concordar com algumas medidas tomadas pelo presidente e discordar de outras.

O candidato disse que espera um posicionamento oficial de seu partido sobre como serão conduzidas as campanhas e apoios nos estados. No entanto, ele também disse ter ficado feliz de receber o apoio de Bolsonaro para sua candidatura.

Segundo o candidato, pontos positivos do Governo Bolsonaro foram as obras de transposição do Rio São Francisco, o Auxílio Brasil para as pessoas de baixa renda e a criação do piso salarial para os professores.

" Tem alguns erros que eu sempre apontei também. Eu nunca fui o apoiador que diz amém para tudo e em nenhum momento eu sou o opositor que critica tudo", afirmou Wagner.

Ele disse discordar do presidente nos ataques às instituições e à imprensa. Também disse ser favorável às urnas eletrônicas, mesmo sendo apoiador de formas de aumentar a segurança do processo eleitoral.

"Eu reconheço sim as urnas eletrônicas como viáveis, até porque eu fui eleito por estas urnas mais de uma vez. Mas ao mesmo tempo, sou a favor de todo e qualquer mecanismo que venha aumentar a fiscalização em cima das urnas", disse o candidato.

Outra divergência apontada em relação ao presidente foi o apoio às vacinas para a Covid. Wagner afirmou que tomou todas as doses disponíveis, bem como sua esposa e filhos.

"Acredito que a vacina é um mecanismo de proteção. Acredito que muitas mortes foram evitadas por conta do processo de imunização. O Brasil é um dos países que tem mais pessoas vacinadas, graças ao governo federal que adquiriu essas vacinas, mesmo com o presidente se posicionando contra", afirmou.

O deputado também opinou sobre as dificuldades de diálogo entre Bolsonaro e os governadores de estados do nordeste, incluindo o Ceará. Segundo ele, houve pouca disposição de ambos os lados

"Acho que o diálogo só acontece quando as duas partes querem dialogar. Enquanto opositor do governador Camilo [Santana (PT)] eu sentei com ele em diversas ocasiões, apresentei ideias para melhorar a segurança pública e muitas delas foram implementadas", disse o candidato.

Sobre a quebra da aliança entre PT e PDT no estado, ele disse acreditar que a atual governadora Izolda Cela deveria ter o direito de concorrer pela reeleição.

"Ela estava na cadeira de governadora, com a caneta na mão, com a responsabilidade de administrar o estado e ela tinha a intenção de concorrer à reeleição. Se fosse um homem, eu duvido que esse homem teria sido tirado da disputa por qualquer outro, porque é legítimo que quem está na cadeira tenha a precedência de concorrer à reeleição", afirmou

Para Wagner, a governadora seria uma candidata mais competitiva que seus atuais adversários, principalmente devido à união dos partidos em torno de seu nome.

"Hoje há uma divisão desses partidos, fazendo com que, por exemplo, eu tenha o maior tempo de televisão e rádio entre todos os candidatos. O apoio de prefeitos também está sendo disputados no tapa entre eles no Ceará", disse o candidato.

Segundo ele, é estranho ver aliados políticos de décadas fazendo críticas uns aos outros na imprensa e nas redes sociais. Ele também disse discordar das falas de Roberto Cláudio (PDT) de que seu nome é mais forte para a corrida eleitoral que o de Izolda Cela, que teria uma rejeição menor por parte do eleitorado.

Capitão Wagner também disse não ter certeza se houve de fato um rompimento entre PT e PDT, visto que o governo estadual e a prefeitura de Fortaleza continuam sendo administrados em harmonia pelos dois partidos, mesmo após o fim da aliança para as eleições.

Para ele, um dos principais problemas do estado é a questão da segurança pública. Segundo ele, nos governos do grupo adversário os números da violência subiram muito no Ceará.

"Eu reconheço que houve um esforço por parte dos dois governantes que fazem parte do mesmo grupo, o Cid Gomes e o Camilo, mas faltou pulso firme para que a gente resolva esse problema da violência no estado do Ceará", disse ele.

Sobre o envolvimento de policiais militares em atos antidemocráticos, o candidato disse ser contrário a esse tipo de postura. "Nunca apoiei qualquer tipo de afronta à democracia, a golpe ou coisa parecida. Eu acho que quem defende esse tipo de postura não sabe ou não viveu o que ocorreu no passado, não sabe que consequência nós teríamos com um golpe aqui no país", afirmou.

Apesar disso, ele defendeu a luta dos policiais por mais direitos. Segundo ele, o estado do Ceará é um dos poucos onde a PM não possui carga horária definida, tendo profissionais que chegam a trabalhar mais de 60 horas semanais. Ele também apontou a falta de estrutura e armamento adequados para combater o criem organizado.

Em 2012, Wagner coordenou o motim das forças policiais no estado do Ceará. No entanto, ele disse que a situação à época era diferente da atual. Segundo ele, alguns problemas apontados foram sanados e outros permaneceram.

Em 2020, ocorreu outro motim das forças policiais no estado, mas Wagner disse ter sido contrário. Ele afirmou ser um legalista e respeitar a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a ilegalidade desse tipo de movimento. Ele afirmou que seu apoio foi na disponibilidade para participar das negociações com o governo estadual.

Sua proposta para evitar esse tipo de situação é manter um canal de diálogo permanente com servidores representantes das categorias, para receber demandas e ter transparência sobre o que é possível ser feito.

Wagner também elogiou os bons resultados da educação básica do estado. Ele afirmou que os melhores resultados estão no ensino fundamental, que tem apoio estadual, mas é de responsabilidade dos municípios. Para ele a estrutura do ensino médio também precisa ser melhorada, com expansão das escolas integrais e de ensino técnico.

A entrevista foi conduzida por Fabíola Cidral e pelos jornalistas Carlos Madeiro, do UOL, e João Pedro Pitombo, da Folha. As sabatinas são realizadas ao vivo e transmitidas nos sites dos dois veículos. Cada postulante tem direito a 60 minutos de fala.

Capitão Wagner foi o terceiro candidato a participar da sabatina. O primeiro entrevistado foi o candidato Elmano de Freitas (PT), na última sexta (5). Na terça-feira (8), Roberto Cláudio (PDT) também participou da sabatina.