Capitólio: um ano após tragédia, turismo chega a 90% dos niveis pré-pandemia, diz prefeitura

Exatamente um ano após a tragédia que matou 10 pessoas no Largo de Furnas, na cidade de Capitólio (MG), a prefeitura afirma que o fluxo de turistas no município retornou a níveis similares aos de antes da pandemia. Outras 27 pessoas ficaram ferida no dia 8 de janeiro de 2022, quando uma rocha se desprendeu da encosta do local e caiu sobre turistas.

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— De novembro para cá melhorou muito. Fizemos uma pesquisa e notamos uma ocupação de 80% em pousadas e hotéis. Em dezembro foi de 90%. Temos uma estimiativa de que tinhamos 35 mil pessoas no final do ano aqui. — diz o prefeito de Capitólio, Cristiano Geraldo da Silva (PP).

Segundo o governo estadual, está em finalização um estudo geológico das regiões rochosas de Capitólio, que permitirá o mapeamento de todas as áreas de cânions do município.

— Depois do acidente, as pessoas achavam que estava feechado, que não ia reabrir. Fizemos uma campanha para mostrar que estamos abertos e que temos outras cachoeiras e turismo cultural e gastrônomico. — diz ainda o prefeito.

A circulação de lanchas na área em que o paredão se desprendeu foi retornada cerca de 80 dias após a morte dos 10 passageiros da lancha 'Jesus'. As novas medidas de segurança passaram a incluir um limite de embarcações simultâneas no local, e a proibição de que eles ancorem nas águas de Furnas. A aproximação das enconstas também foi limitada.

Capacetes passaram a serem obrigatórios junto aos coletes salva-vidas. O uso de aparelhos de som, com música alta, por exemplo, passou a ser proibido, e um geólogo visita diariamente a região para verificar as chances de um novo desabamento.

— Lá pode ter só cinco lanchas a cada vez. Não pode parar dentro, mas o turista consegue fazer o passeio, contemplar as cachoeiras e tirar fotos, antes de sair — explica o prefeito.

'Evento natural', diz polícia

Em março do ano passado, a Polícia Civil de Minas Gerais concluiu o inquérito sobre o caso, apontado ter se tratado de um 'evento natural', sem interferência humana. Nenhum órgão ou indivíduo foi indiciado.

Segundo o perito criminal Rogério Shibata, o desmoronamento do ano passado está ligado a erosão natural do relevo, "processo comum em toda a região de Capitólio".

— Não foi um evento que ocorreu e propiciou esse tombamento. Ocorreu uma sequência de eventos que culminaram com a queda desse bloco durante vários anos — comentou na época Shibata.

Em coletiva de imprensa no ano passado, o prefeito de Capitólio admitiu que nenhum acompanhamento geológico era feito na região onde a tragédia aconteceu:

— Estamos fazendo um trabalho desde o ano passado sobre trombas d’água, para mobilizar os empresários, os turistas, para que ficassem atentos a elas. Queda de paredão nunca tivemos. É uma injustiça querer cobrar isso. Foi uma fatalidade — disse o prefeito