Capitólio: um ano após tragédia, cidade tem novos protocolos para visitação de cânions

A visitação aos cânions de Capitólio, palco da tragédia que deixou 10 mortos em janeiro de 2022 quando uma rocha despencou de um paredão e caiu em uma lancha, está normalizada um ano depois. O passeio ao ponto turístico conta agora, no entanto, com novos protocolos de segurança.

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O número de lanchas que podem visitar o Largo de Furnas ao mesmo tempo foi limitado, e as embarcações não podem mais ancorar na área. A aproximação das encostas também foi delimitada.

Capacetes passaram a serem obrigatórios junto aos coletes salva-vidas. O uso de aparelhos de som, com música alta, por exemplo, passou a ser proibido.

— Lá pode ter só cinco lanchas a cada vez. Não pode parar dentro, mas o turista consegue fazer o passeio, contemplar as cachoeiras e tirar fotos, antes de sair — explica o prefeito de Capitólio, Cristiano Geraldo da Silva (PP).

As novas medidas de segurança foram estabelecidas cerca de 80 dias após a tragédia, que acontece há cerca de um ano, dia 8 de janeiro. Elas incluem ainda a visita diária de um geólogo ao local para determinar se há qualquer risco de um novo desmoronamento ocorrer. A área é fechada todas as vezes em que chove.

'Evento natural', diz polícia

Em março do ano passado, a Polícia Civil de Minas Gerais concluiu o inquérito sobre o caso, apontado ter se tratado de um 'evento natural', sem interferência humana. Nenhum órgão ou indivíduo foi indiciado.

Segundo o perito criminal Rogério Shibata, o desmoronamento do ano passado está ligado a erosão natural do relevo, "processo comum em toda a região de Capitólio".

— Não foi um evento que ocorreu e propiciou esse tombamento. Ocorreu uma sequência de eventos que culminaram com a queda desse bloco durante vários anos — comentou na época Shibata.

Em coletiva de imprensa no ano passado, o prefeito de Capitólio admitiu que nenhum acompanhamento geológico era feito na região onde a tragédia aconteceu:

— Estamos fazendo um trabalho desde o ano passado sobre trombas d’água, para mobilizar os empresários, os turistas, para que ficassem atentos a elas. Queda de paredão nunca tivemos. É uma injustiça querer cobrar isso. Foi uma fatalidade — disse o prefeito.