Capitais e cidades recuam em flexibilização após aumento de casos e lotação de UTIs

Ana Letícia Leão, Célia Costa, Sérgio Roxo e Silvia Amorim
·9 minuto de leitura
A healthcare worker checks the temperature of a man during a medical check-up at a slum in Mumbai, India on June 24, 2020. India is the fourth worst-hit nation by the Coronavirus (COVID-19) pandemic after the United States, Brazil and Russia. (Photo by Himanshu Bhatt/NurPhoto via Getty Images)
A healthcare worker checks the temperature of a man during a medical check-up at a slum in Mumbai, India on June 24, 2020. India is the fourth worst-hit nation by the Coronavirus (COVID-19) pandemic after the United States, Brazil and Russia. (Photo by Himanshu Bhatt/NurPhoto via Getty Images)

RIO E SÃO PAULO — Enquanto as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro flexibilizam a quarentena contra o coronavírus, as três capitais do Sul do país, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre, e cidades do interior paulista e do nordeste iniciaram um movimento inverso nos últimos dias com o avanço da epidemia na região.

Acompanhe como ficou o ir e vir do isolamento social em algumas das principais cidades do país:

Curitiba

A capital paranaense viu a lotação de suas Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) aumentar e o número de casos de Covid-19 triplicou nesta terça-feira.

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O prefeito Rafael Grecca (DEM) havia autorizado a reabertura do comércio ainda em abril. Shoppings, igrejas, academias e bares puderam voltar a funcionar em maio. Mas a prefeitura de Curitiba anunciou novas medidas de restrição depois de ter flexibilizado o isolamento.

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É que ao longo de junho a capital paranaense viu a curva de crescimento de casos se intensificar. No dia 1º, havia 1.129 pacientes com a doença. O número de casos no município triplicou e chegou a 3.298 e 116 mortes na terça-feira. No começo de junho, tinham sido registrados 54 mortes. O registro diário de novos casos também é motivo de preocupação, passando de 226 na terça contra 147 no dia anterior.

A taxa de ocupação de UTIs, que era de 49% na virada do mês, chegou a 85% na terça-feira da semana passada e nesta segunda-feira estava em 79%. A secretária de Saúde, Márcia Huçulak, chegou a afirmar na semana passada que a cidade poderia adotar o lockdown.

Porto Alegre

A capital gaúcha, que chegou a relaxar as regras de distanciamento social com a reabertura do comércio, começou a determinar restrições na semana passada com o fechamento de vários setores. No entanto, a medida não conseguiu diminuir o avanço da Covid-19. Diante do aumento do número de inernações em UTIs, o prefeito Nelson Marchezan Jr. (PSDB) publicou novo decreto, com medidas ainda mais duras, na madrugada da última terça-feira.

As restrições adotadas retomaram o nível de isolamento vigente em março. Pelas novas regras, fica estabelecido que comércio, indústria e construção civil deverão interromper novamente as atividades na Capital.

Casas noturnas, boates, museus, centros culturais, bibliotecas, cinemas, centros de treinamento e de ginástica e parques de diversão devem voltar a fechar ou permanecer fechados. Porém, teatros e centros culturais podem receber equipes para captação audiovisual.

As academias só poderão receber um aluno por vez, assim como as quadras poderão abrir para esporte individual. Os clubes ficam autorizados a liberar as instalações para o condicionamento físico de atletas profissionais e para a prática individual de associados, com distanciamento de dois metros entre as pessoas.

Não são afetados pela portaria os serviços essenciais, como farmácias e supermercados. Hoje a cidade está com 72% das vagas de UTI para pacientes com Covid-19 ocupadas. Esse foi o motivo do endurecimento da quarentena.

O número de internações vem subindo em ritmo acelerado desde o início deste mês, sinalizando que Porto Alegre chegou à fase aguda da transmissão do vírus. No domingo, eram 2.774 casos registrados e 66 mortes na cidade.

Florianópolis

Prefeituras de cidades da Grande Florianópolis anunciaram nesta quarta-feira mais rigor nas restrições após o aumento do número de casos. Além da capital catarinense, São José, Palhoça e Biguaçu publicaram decretos proibindo aglomerações e tornando obrigatório o uso de máscaras.

Em Florianópolis, a prefeitura vai avaliar a situação durante 14 dias para checar o cumprimento das novas regras e os resultados. A cidade, uma da primeiras a ter decretado o isolamento social em março, iniciou um plano de reabertura econômica nas últimas semanas. Desde esta quarta-feira, shoppings, galerias, academias e quadras esportivas deverão ficar fechadas. Praças e parques só poderão ser frequentados durante a semana. Nas praias, estão permitidos somente esportes aquáticos e pesca.

Os restaurantes só poderão abrir das 11h às 15h, durante a semana, enquanto para bares e lanchonetes o funcionamento é até 18h nos dias semana. E o uso de máscaras passa a ser obrigatório em toda a cidade. A multa é R$ 1.250, 10 vezes mais que o valor anterior para pessoa física, e a reincidência para o não uso de máscaras poderá chegar a multa de até R$ 2.500.

— Estamos apertando agora enquanto (ainda) temos controle. As internações em UTIs dobraram. O Hospital Regional de São José está com taxa de ocupação da UTI em 100%. Os números da pandemia infelizmente subiram. Está havendo abuso e irresponsabilidade (na circulação de pessoas) — disse o prefeito Gean Loureiro (DEM).

Florianópolis tem 1.433 casos confirmados de Covid-19 registrados oficialmente e 14 mortes. A capital ficou 32 dias sem mortes pela doença, mas o recorde foi superado no início deste mês.— Se não tomarmos medidas fortes agora a situação pode fugir do controle. Não vou pagar para ver — afirmou Loureiro.

Interior de São Paulo

Em São Paulo, o governo do estado anunciou em maio um plano para a reorganização da quarentena, que prevê cinco fases para o retorno das atividades: 1 (vermelha): alerta; 2 (laranja): controle; 3 (amarela): flexibilização; 4 (verde): abertura gradual; e 5 (azul): normal controlado.

No último dia 3 de junho, quatro das 22 regiões do estado foram enquadradas na chamada “fase amarela”. Com isso, Barretos, Presidente Prudente, Bauru e Araraquara/São Carlos iniciaram o retorno à atividade normal.

No dia 10 de junho, no entanto, Presidente Prudente e Barretos recuaram novamente para a “fase vermelha”, estágio considerado mais crítico, no qual é permitido apenas o funcionamento de serviços essenciais. Ribeirão Preto, que estava na “fase laranja” no primeiro boletim, também passou à vermelha neste segundo momento.

Apesar das taxas de ocupação de leitos de UTI inferiores a 80% (52%, 27% e 60%, respectivamente), as três regiões passaram a apresentar grandes variações no número de internações e óbitos, o que impulsionou o endurecimento das medidas de isolamento.

Já na mais atual versão do mapa, na semana passada, Marília e Registro, antes na “fase laranja”, recuaram à vermelha. As duas regiões têm ocupação hospitalar de 33% e 17%, respectivamente, mas possuem altas taxas de internações. A região de Marília, inclusive, chegou a se autodeclarar na “fase verde”, mas recuou após decisão judicial. Barretos, Presidente Prudente e Ribeirão Preto seguem na situação mais crítica da doença.

A cidade de Campinas, que está na fase laranja, chegou a fazer uma flexibilização. No entanto, após duas semanas, o prefeito Jonas Donizette (PSB) determinou o novo fechamento do comércio de rua e shoppings e outras medidas, como a proibição de cirurgias eletivas, que passaram a valer desde segunda-feira até o dia 29 de junho. Uma das razões para o recuo foi o aumento da demanda por leitos de UTI.

Nesta terça-feira, a cidade tinha apenas 38 leitos de UTI livres. Campinas conta com 350 leitos exclusivos para pacientes com Covid-19 nas redes pública e particular. Deste total, 312 estão ocupados, o que corresponde a 89,14%. Há 38 leitos livres somando as redes pública e particular.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a reabertura do comércio, há duas semanas, foi possível a partir da classificação feita pelo governo estadual. Na última sexta-feira, o Estado manteve a região de Campinas na classificação laranja, porém emitiu nota técnica orientando o fechamento do comércio na cidade.

Nordeste

Primeiro município baiano a adotar medidas restritivas de prevenção à pandemia, há cerca de 2 meses e meio, Juazeiro, cidade com cerca de 220 mil habitantes localizada no norte da Bahia, suspendeu – através de decreto publicado em 13 de março – as aulas das redes pública e privada, ordenou fechamento de lojas varejistas e de segmentos não essenciais.

Com 75 casos confirmados de Covid-19 e cinco óbitos, o prefeito Paulo Bomfim (PT) considerou que a situação da Covid-19 estava sob controle e decidiu pela flexibilização com a reabertura do comércio no dia 1º de junho. A cidade baiana tem um comitê de acompanhamento, formado por integrantes de várias secretarias, que decidiu pela flexibilização levando em conta o baixo número de casos e, principalmente, a taxa de ocupação de leitos de UTI, que estava menos de 70%.

Menos de um mês após a reabertura do comércio Juazeiro já registra 381 casos (conforme boletim desta terça-feira) e 15 mortes. A taxa de ocupação das UTIs saltou para 92% . O prefeito recuou após registrar um aumento acelerado do número de casos e decretou novo fechamento do comércio até 30 de junho. As medidas que passaram a vigorar na segunda-feira, prevê ainda o toque de recolher a partir de 20h às 5h.

— Compreendo a importância da economia para assegurar os empregos, porém a nossa maior preocupação é focar na saúde e proteger a população. Por conta do aumento de testes rápidos e demais ações da Secretaria da Saúde, tivemos um grande aumento de novos infectados e por isso fechamos novamente o comércio para aumentarmos ainda mais a nossa taxa de isolamento, além de revermos em quais situações não conseguimos fazer com que as regras sanitárias estabelecidas fossem cumpridas. Se atingirmos bom índice de isolamento, reduzirmos as taxas de ocupação de leitos de UTI, podemos novamente analisar uma reabertura — avaliou Paulo Bomfim.

Em Alagoas, o governador Renan Filho (MDB) chegou a anunciar o retorno gradativo das atividades. Mas na última segunda-feira houve um recuo e um novo decreto prorrogou as restrições. A decisão, segundo o governador, foi adotada após um amplo diálogo com todos os segmentos da sociedade civil, setor produtivo, igrejas, o Ministério Público, Assembleia Legislativa e com o Poder Judiciário.

Foi estabalecido novo prazo, até o dia 30 de junho, para se confirmar tendência de queda de casos de coronavírus no estado e, com isso, a partir do início do mês de julho, uma matriz de risco — irá avaliar a mudança do sistema para o de Distanciamento Social Controlado, e assim reiniciar algumas das atividades hoje paralisadas.

Distrito Federal

O Distrito Federal, que tem hoje 33,2 mil infectados e 433 mortos por Covid-19, vive impasse entre o governador Ibaneis Rocha (MDB) e a Justiça. No sábado, a Justiça Federal decidiu que o governo está impedido de decretar a retomada das atividades não essenciais. Isso porque na semana passada o governador havia dito que cogitava reabrir bares, restaurantes, salões de beleza e academias até 1º de julho.

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