Capitais registram alta na abstenção em eleição marcada pela pandemia de Covid-19

Juliana Dal Piva, Marlen Couto e Pedro Capetti
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fotoarena/Agencia Globo
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RIO — Ao menos dez capitais brasileiras com resultados eleitorais já anunciados registraram aumento da abstenção na disputa municipal deste domingo na comparação com a disputa de 2016. É o caso do Rio de Janeiro. Com mais de 95% das urnas apuradas, 32,8% dos aptos a votar na cidade não compareceram às suas seções eleitorais, maior número registrado na capital nos últimos 20 anos. Em 2016, esse percentual foi de 24,5%.

Nas capitais com resultado divulgado, apenas Belém manteve a taxa de abstenção praticamente estável.Em Salvador, a taxa de abstenção passou de 21,5%, em 2016, para 26,5% ontem. Em Manaus, a alta foi de quase dez pontos percentuais, para 18,2%.

O crescimento da abstenção é aguardado por cientistas políticos e técnicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em virtude das limitações de mobilidade causadas pela pandemia de Covid-19. O presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, chegou a afirmar ontem que a abstenção pode chegar a 30%.

Em Curitiba (PR), onde o prefeito Rafael Greca (DEM) foi reeleito, a abstenção atingiu 30,1%, praticamente o dobro do registrado em 2016, quando 16,4% dos curitibanos não compareceram às urnas. Em Florianópolis, a abstençao foi alta: chegou a 28,65% do total de votantes. Em 2016, esse percentual foi de 12,25%. Já, em Palmas, onde Cinthia Ribeiro (PSDB) foi eleita em primeiro turno, a taxa de abstenção ficou em 23,3%, ante 19,6% há quatro anos.

O total de brasileiros que não foram ontem às urnas, no primeiro turno da disputa municipal, deve ser o maior registrado no país ao menos desde 1996, de acordo com as estatísticas divulgadas até o momento. Com pouco mais de 77% das urnas apuradas, a taxa de abstenção por enquanto é de 23%. Em 2016, esse percentual foi de 17,58% em todo o país.