Capitais registram alta na abstenção em eleição marcada pela pandemia de Covid-19

Juliana Dal Piva, Marlen Couto e Pedro Capetti
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RIO — Ao menos dez capitais brasileiras com resultados eleitorais já anunciados registraram aumento da abstenção na disputa municipal deste domingo na comparação com o pleito de 2016. É o caso do Rio de Janeiro. Com mais de 99% das urnas apuradas, 32,7% dos aptos a votar na cidade não compareceram às suas seções eleitorais, maior número registrado na capital nos últimos 20 anos. Em 2016, esse percentual

Nas capitais com resultado já divulgado, apenas Belém manteve a taxa de abstenção praticamente estável. O percentual passou de 19% para 20,7%. Em Salvador, a taxa de abstenção passou de 21,5%, em 2016, para 26,5% ontem. Em Manaus, a alta foi de quase dez pontos percentuais, para 18,2%.

O crescimento da abstenção é aguardado por cientistas políticos e técnicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em virtude das limitações de mobilidade causadas pela pandemia de Covid-19. O presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, chegou a afirmar ontem que a abstenção pode chegar a 30%.

Em Curitiba (PR), onde o prefeito Rafael Greca (DEM) foi reeleito, a abstenção atingiu 30,1%, praticamente o dobro do registrado em 2016, quando 16,4% dos curitibanos não compareceram às urnas. Em Florianópolis, a abstençao foi alta: chegou a 28,65% do total de votantes. Em 2016, esse percentual foi de 12,25%. Já, em Palmas, onde Cinthia Ribeiro (PSDB) foi eleita em primeiro turno, a taxa de abstenção ficou em 23,3%, ante 19,6% há quatro anos.

O total de brasileiros que não foram ontem às urnas, no primeiro turno da disputa municipal, deve ser o maior registrado no país ao menos desde 1996, de acordo com as estatísticas divulgadas até o momento. Com pouco mais de 77% das urnas apuradas, a taxa de abstenção por enquanto é de 23%. Em 2016, esse percentual foi de 17,58% em todo o país.