Capitais registram panelaços durante pronunciamento de Bolsonaro

Filipe Vidon
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RIO - Várias cidades pelo Brasil registraram panelaços contra o presidente Jair Bolsonaro na noite desta terça-feira durante o pronunciamento oficial exibido em cadeia nacional de emissoras de rádio e televisão. As manifestações já estavam programadas desde o anúncio de que Bolsonaro falaria ao país nesta noite e já aparecia entre os assuntos mais comentados do Twitter desde a tarde de hoje. No pior momento da pandemia, o panelaço acontece no dia em que o país bateu mais um recorde de mortes por Covid-19: foram 3.158 óbitos contabilizados em 24 horas, segundo as secretarias estaduais de saúde.

O pronunciamento estava marcado para o início do mês, mas foi cancelado em cima da hora mesmo após a convocação da cadeia de rádio e TV. Na ocasião, o agravamento da crise sanitária e com a ameaça de colapso no sistema de saúde em vários estados fizeram o governo recuar. Naquele dia, 2 de março, o Brasil somava 257.562 óbitos.

No Rio de Janeiro, as manifestações foram ouvidas em bairros como Flamengo, Jardim Botânico, Grajaú, Lapa e Centro. Além das panelas, manifestantes também gritaram palavras de ordem contra Bolsonaro.

Na capital paulista também foram registrados panelaços em vários bairros. Houve bateção de panelas e gritos de "Fora Bolsoanro" em Pinheiros, Perdizes, Pompeia e Barra Funda, na Zona Oeste; Vila Marinana e Moema, na Zona Sul; Higienópolis e República, na região central;

Na capital do país, o panelaço foi ouvido em áreas da Asa Sul e da Asa Norte, além de gritos como de ordem contra o presidente.

No Nordeste, vídeos publicados nas redes mostraram as manifestações em Recife, Pernambuco, e Belém, capital do Pará.

Aumento da pressão

Pressionado pela opinião pública com o aumento de críticas ao governo no combate à pandemia da Covid-19, Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira que ainda não foi convencido a mudar de postura em relação ao tema e que o Brasil tem tido um trabalho “excepcional” na disponibilização de vacinas. O presidente também disse que o Brasil é o quinto que mais vacina contra a Covid-19 em valores absolutos no mundo. Proporcionalmente, no entanto, somente cerca de 5% da população brasileira foi vacinada até agora.

Desde o discurso do ex-presidente Lula, em que ele marcou posição contra Jair Bolsonaro na questão da pandemia ao defender a vacina e criticar os negacionistas do coronavírus, o Planalto tenta reposicionar o discurso sobre a importância da vacinação. Nas redes sociais, os filhos do presidente divulgaram imagens associando o pai à defesa da campanha de imunização. Nesta segunda-feira, a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República lançou uma campanha nas plataformas para mostrar “o Governo trabalhando com responsabilidade, desde o início, na busca por vacinas”.

O pronunciamento desta terça-feira é mais um dos esforços para melhorar a imagem de Bolsonaro na crise gerada pela pandemia. O presidente, no entanto, permanece se posicionando contra as medidas restritivas de circulação de pessoas adotadas por governadores e prefeitos para conter a contaminação. Nesta terça, o ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello negou o pedido de Bolsonaro para derrubar os decretos dos estados.