Capitais suspendem vacinação contra Covid-19 em crianças por falta de doses

Três capitais suspenderam a vacinação contra a Covid-19 de crianças entre seis meses e 4 anos de idade sob argumento de que não dispõem de doses: Salvador, Belo Horizonte e Rio de Janeiro . A interrupção ocorre nove dias após o Ministério da Saúde ter liberado a aplicação do imunizante fabricado pela Pfizer para a faixa etária.

– Há alguns meses que o envio das doses destinadas à vacinação infantil tem sido irregular. Por conta desse cenário de falta de doses – afirmou o secretário municipal da Saúde de Salvador, Decio Martins – A situação atual nos impossibilita de seguir com a estratégia nesse momento, pois estamos com o estoque zerado.

Segundo a secretaria da capital baiana, a última remessa de doses pediátricas contra a Covid-19 foram recebidas há mais de um mês. O cenário é parecido em Belo Horizonte, que afirma ter recebido a última remessa em 21 de novembro. No Rio de Janeiro, a secretaria informou que as últimas doses chegaram em 6 de dezembro. A expectativa é que uma nova remessa seja repassada pela pasta até a segunda quinzena de janeiro.

Outras cinco capitais estão com estoque no fim. São elas: Porto Alegre, que não tem previsão de ampliar a aplicação da Pfizer para crianças pequenas sem comorbidade. Recife, que já não tem CoronaVac para pequenos de 3 e 4 anos e atua com baixa quantidade da Pfizer. Goiânia, sem vacinas para crianças de até 4 anos que ainda vão receber a primeira dose. Teresina, sem doses para a faixa de três a quatro anos e sem primeira dose para o público entre seis meses e três anos. E Brasília, que segundo a secretaria, trabalha com doses remanescentes das vacinas.

Aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em setembro, a Pfizer infantil foi liberada para todas as crianças de 6 meses a 4 anos pelo Ministério da Saúde em 27 de dezembro. O esquema vacinal terá três doses: as duas primeiras em um intervalo de quatro semanas e a terceira, pelo menos oito semanas após a administração da segunda dose.

Contatada pelo GLOBO, o Ministério da Saúde reforçou que, no último dia 30, assinou uma compra de 50 milhões de doses da vacina contra a Covid-19 com a Pfizer. Segundo a pasta, 69 milhões de doses remanescentes serão entregues até o segundo trimestre de 2023.