Capitais têm demanda até 80% maior em enfermaria e PS por Covid e gripe

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 14.09.2021 - Fachada do Hospital Municipal da Brasilândia, em São Paulo, que voltou a registrar casos de Covid-19. (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 14.09.2021 - Fachada do Hospital Municipal da Brasilândia, em São Paulo, que voltou a registrar casos de Covid-19. (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)

SALVADOR, BA, RIO DE JANEIRO, RJ, RECIFE, PE, CURITIBA, PR, CONSELHEIRO LAFAIETE, MG, SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Capitais brasileiras registram alta de até 80% na demanda em prontos-socorros e enfermarias de hospitais públicos e privados com casos de gripe e de Covid desde o final do ano. Parte dos internados em UTIs (unidades de terapia intensiva), segundo estados, não tomou vacina contra o coronavírus.

Fortaleza tem 84% de ocupação em leitos de enfermaria da rede pública. A escalada do indicador levou o governo do Ceará a anunciar novas medidas restritivas, como a diminuição da capacidade de eventos, e a suspender cirurgias eletivas na rede estadual.

Na Bahia, houve crescimento da demanda por leitos de UTI após o Natal e o Réveillon no SUS, em todo o estado, e na rede privada de Salvador. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, mais de 80% dos internados nas UTIs não tomaram a vacina contra a Covid.

No Hospital Espanhol, maior para tratamento de Covid em Salvador, a taxa de ocupação dos 160 leitos subiu de 30% para 65% nas últimas seis semanas. "Esse número seguirá crescendo porque as pessoas se aglomeraram nas festas do de fim de ano", afirma Rômulo Cury, diretor-geral do hospital.

Na rede municipal, há confluência de demandas por hospitalização. Além do aumento de casos da Covid-19 e gripe, também há uma pressão de pacientes com problemas vasculares, de coração e até oncológicos cujos quadros se agravaram durante a pandemia.

"O sistema municipal de saúde nunca viveu um momento tão ruim, tão crônico. Estamos somando problemas porque temos pacientes crônicos agravados e, ao mesmo tempo, uma pressão de pacientes com síndromes respiratórias", afirma o secretário de Saúde de Salvador, Leonardo Prates.

A maior pressão é sobre as Unidades de Pronto Atendimento das redes estadual e municipal em Salvador. Pacientes com sintomas mais leves estão sendo orientados a procurar unidades básicas de saúde.

A devastação causada pelas chuvas no interior do estado, diz o secretário, agravou o problema, já que parte dos pacientes que fazem tratamento em cidades do interior recorrereu ao sistema de saúde da capital.

Para completar, há preocupação com surtos de dengue e chikungunya. O índice de infestação pelo mosquito Aedes aegypti é de dez casas em cada cem visitadas pelos agentes de saúde. "É um índice muito alto", diz Prates.

Até a quarta-feira (5), em Pernambuco, a ocupação de leitos de enfermaria era de de 74% na rede pública, para casos de Srag (Síndrome Respiratória Aguda Grave). Na rede privada, o indicador era de 27% de ocupação em leitos de enfermaria para pessoas com problemas respiratórios.

Em Aracaju, o número de atendidos por síndrome gripal nos cinco primeiros dias de janeiro chegou a 4.545, cerca de um terço do que foi registrado em todo o mês de dezembro. A demanda por internação, porém, não teve alta.

No Rio de Janeiro, a ocupação de leitos é relativamente baixa até o momento, apesar da alta pressão nas unidades básicas e emergências. Os hospitais públicos da cidade tinham apenas 33 internados por Covid em enfermarias e UTIs nesta quinta (6), que representam 39% dos leitos dedicados à doença.

Na rede privada a situação é a mesma, segundo Graccho Alvim, diretor da Aherj, principal associação de hospitais do estado. "Estimamos cerca de 15% de ocupação no estado todo, mas estamos esperando um aumento para os próximos 15 dias, porque os casos subiram precisamente a partir de segunda [3]", diz.

De acordo com ele, as emergências estão bastante "tumultuadas", com aumento de até 220% nos atendimentos nesta semana, porém, os casos raramente são graves. A maioria das hospitalizações têm sido de pessoas não vacinadas e de bebês de seis meses a um ano, com bronquiolite por Covid ou influenza, afirma ele.

Em Teresina, a taxa de ocupação de leitos clínicos públicos e privados dobrou, de 28% para 56%, nas últimas duas semanas, se comparadas as datas de 20 de dezembro e 6 de janeiro. Atualmente, são 57 pacientes internados para 102 vagas existentes.

Em Maceió, foi ampliado o número de leitos para Covid e Influenza. A partir desta quinta (6), estão em atividade 86 leitos de enfermaria, quando antes eram 54. Atualmente, 43 deles estão ocupados, o que corresponde a 50% do total.

Em Florianópolis, o Hospital Universitário da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) emitiu um comunicado na quarta-feira (5) por conta da superlotação de suas emergências.

Houve alta de até 380% dos atendimentos de pacientes com sintomas respiratórios ao longo do mês de dezembro até segunda-feira (3). "A situação coloca emergências no limite de sua capacidade técnica", diz a nota.

O hospital privado Baía Sul, também de Florianópolis, e a Unimed Florianópolis já haviam alertado quanto à maior procura em pronto atendimento.

Segundo dados estaduais, a taxa de ocupação de leitos para pacientes de Covid-19 na Grande Florianópolis chegou a 78,9% na quarta-feira (5). No dia 1º, essa mesma taxa era de 73%.

Em Curitiba, após as festas de fim de ano, a Santa Casa também informou aumento de atendimentos de pacientes com sintomas respiratórios em suas unidades. A especializada no tratamento de Covid-19 está com 60% dos leitos ocupados --em 1º de janeiro,a taxa era de 30%. A maioria dos pacientes, porém, não precisa de UTI.

No Hospital Evangélico, não houve alta de internação, mas a procura foi maior no pronto atendimento para casos de sintomas respiratórios leves.

O Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, teve duas crianças com Covid-19 internadas na segunda (3). Elas foram as primeiras internações pela doença registradas no hospital desde 10 de dezembro.

No hospital, só nos primeiros dias de 2022, outras quatro crianças foram internadas por conta de gripe. Esse número é o mesmo registrado ao longo de 2021. Ao todo, 31 pacientes do Pequeno Príncipe em 2022 haviam sido infectados pelo influenza. Em todo o 2021, foram 33.

Em Porto Alegre, segundo dados estaduais, a ocupação de leitos segue estável desde o fim do ano, mas, no Hospital São Lucas da PUCRS, o número de atendimentos aumentou 203% comparando os primeiros dias de 2022 com os atendimentos de dezembro.

Em Goiânia, a taxa de ocupação nas enfermarias chegou a 60% nesta quinta, ante 32% no fim de dezembro.

Segundo a Ahpaceg (Associação dos Hospitais Privados de Alta Complexidade do Estado de Goiás), o número de pessoas que vão aos prontos-socorros com sintomas gripais cresceu de forma significativa nas últimas semanas.

Em Campo Grande, 45,8% das enfermarias para doença respiratória estão ocupadas. Já em Cuiabá, existem 20 leitos de enfermaria voltados a pacientes com Covid, sendo que apenas dois deles estão ocupados.

Na região Norte, em Manaus, 43 dos 98 leitos clínicos públicos para Covid-19, ou 44%, estão ocupados. Segundo painel do governo estadual, na rede privada da cidade a ocupação é de 14% --cinco de 30 leitos estão em uso.

No Pará, a taxa de ocupação de leitos para a Covid está em 36,4%. Em Belém, os casos de gripe são tratados nos mesmos leitos das demais doenças. A separação é exclusiva para os casos de Covid.

Dos 14 leitos de internação, sem ser UTI, separados para Covid-19, nove estavam ocupados até a tarde de quinta (6).

Rio Branco hoje conta com apenas dez leitos clínicos para Covid-19 na rede pública, mas a demanda também é baixa. Apenas dois deles estão ocupados.

Em Boa Vista, o fechamento de 109 leitos clínicos no Hospital Estadual de Retaguarda Covid fez disparar a taxa de ocupação. Hoje há apenas 11 leitos de enfermaria para adultos na capital, sendo que oito, ou 73%, estão ocupados.

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