Capital paulista tem explosão de roubos e homicídios em fevereiro de Carnaval

ROGÉRIO PAGNAN

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Palco do maior Carnaval de rua do país, a cidade de São Paulo conheceu na tarde desta quarta-feira (25) o lado negativo de um evento que reuniu cerca de 15 milhões de pessoas no mês passado: a explosão dos registros de roubos e homicídios.

De acordo com os dados divulgados pelo governo paulista, os roubos cresceram 42,1% em fevereiro deste ano em comparação ao mesmo período do ano passado. Os crimes saltaram de 10.206 registrados em fevereiro de 2019 para os 14.503 anotados no mês passado.

Essa alta de 42,1% nos roubos é maior registrada pela polícia na capital desde março de 2014.

Tal crescimento puxou o aumento de roubos no estado. Somando todas as cidades paulistas, a elevação foi de 23,4%. Os registros passaram de 19.381 de fevereiro do ano passado para 23.708 neste ano.

Deste aumento em números absolutos de 4.327 boletins, apenas 30 deles não vieram da capital. O restante (4.297) veio dos distritos paulistanos.

Os furtos em geral também cresceram 29% neste período na capital. Eles foram de 19.468 registros em fevereiro de 2019 para os 25.063.

Embora não desejado, esse aumento no número de crimes patrimoniais já era previsto pelo governo paulista porque o Carnaval neste ocorreu em fevereiro e, no ano passado, aconteceu em março.

O secretário-adjunto pela PM, coronel Álvaro Camilo, disse a capital desperta uma atenção especial por parte da Secretaria da Segurança Pública.

"Independente do Carnaval, a capital tem nos preocupado um pouco, os indicadores maneira geral. Ainda não é uma inversão de tendência, mas talvez estejamos chegando quase em um platô", disse ele.

O que surpreendeu o governo e acedeu a luz amarela da pasta da segurança foi a elevação em 27% no número de homicídios dolosos, que passaram de 48 vítimas para 61, sempre comparando fevereiro de 2019 e fevereiro passado.

No estado, houve uma pequena redução de 0,5%, de 219 para 218.

Para Camilo, esses dados ainda estão sendo estudados para compreender os motivos da elevação. É certo, segundo ele, que a maioria envolveu jovens de 20 a 24 anos e, em metade dos casos, trata-se de questões relações interpessoais -entre conhecidos.

"A gente acredita que boa parte dos homicídios é decorrente das brigas desse período [de Carnaval], porque aumentou muito a quantidade de pessoas nas ruas."