Capixaba que teve auxílio negado por ser ‘Presidente da República’ diz o que faria se estivesse no cargo

Patricia Valle
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A capixaba Adeyula teve seu pedido ao auxílio negado por ser “Presidente da República”.

A capixaba Adeyula Dias Barbosa Rodrigues, de 31 anos, teve seu pedido ao auxílio emergencial de R$ 600 negado por ter dois empregos em aberto, um deles no cargo de “Presidente da República”. No entanto, ela está desempregada desde que foi exonerada do cargo de auxiliar de secretaria escolar da Prefeitura de Vila Velha, em março de 2019 — sendo que esse contrato também aparece em aberto na sua Carteira de Trabalho Digital.

Adeyula afirma que ficou indignada ao descobrir tudo isso:

— Provavelmente esse erro é o que me impossibilita de receber o dinheiro.

Mas e se fosse mesmo presidente por um dia? Ela tem a resposta na ponta da língua:

— Sou a favor do isolamento social, é a única forma de proteger nossas vidas. E o auxílio emergencial é fundamental para nos mantermos neste momento. Mas quem devia receber não está recebendo. Se eu fosse presidente, ia regularizar essas informações, fazer uma análise decente e fazer esse dinheiro chegar a quem precisa. Porque sei que tem muitas pessoas precisando.

Ao consultar sua Carteira de Trabalho Digital, Adeyula encontrou dois empregos em aberto, sendo um com o cargo de “Presidente da República” pela Secretaria estadual de Educação do Espírito Santo (Sedu). O caso foi descoberto pelo jornal “A Gazeta”, do Espírito Santo.

 

Adeyula preenche os requisitos para requerer o auxílio emergencial, no entanto, ao solicitar, aparecia no aplicativo que ela era trabalhadora formal e, portanto, não tinha direito.

— Resolvi abrir minha Carteira de Trabalho Digital e descobri que tenho dois contratos em aberto, e em um deles eu sou “Presidente da República”. Fiquei indignada — afirmou Adeyula ao EXTRA, completando que os R$ 600 fariam toda a diferença para ela e sua família: — O dinheiro está me fazendo falta, o salário reduzido do meu marido mal dá para as despesas básicas, e as contas estão atrasadas. Faço faculdade à distância e não estou conseguindo pagar.

A Secretaria de Educação do Espírito Santo informou que o cadastro da secretaria é feito no sistema da própria Sedu, onde o cargo da servidora está como “Cuidadora”, e que “a opção ‘Presidente da República’ não consta no sistema da secretaria”: “A equipe se coloca à disposição da servidora para buscar a retificação junto ao Ministério do Trabalho dessa informação”.

Já a Prefeitura de Vila Velha informou, também por nota, que, em 2019, Adeyula foi desligada por término de contrato. E que não há “pendência quanto à Relação Anual de Informações Sociais (Rais) da referida ex-servidora, que teve todas as suas informações enviadas ao Ministério da Economia”.

Em nota, o Ministério da Economia, informou que “os dados da Rais são informados anualmente pelos empregadores, sendo estes responsáveis legais pelas informações prestadas, tais como a ocupação, data de contratação e demissão, entre outras. (...) O prazo legal de entrega da declaração Rais ano base 2019 encerrou em 17 de abril de 2020 (...). No momento, as informações recebidas estão sendo processadas”. O órgão afirma ainda que sua Secretaria de Trabalho e o Ministério da Cidadania já alinharam as orientações e estão especificando, com urgência, uma solução mais definitiva.