Capriles diz que continuará como governador, apesar da inabilitação

Caracas, 7 abr (EFE).- O governador do estado venezuelano de Miranda, Henrique Capriles, declarou nesta sexta-feira que, apesar de ter sido inabilitado para ocupar cargos políticos pela Controladoria-Geral do país, continuará como governador e pediu "permissão" aos cidadãos para percorrer cada canto da Venezuela.

"Seguirei sendo seu governador até que o povo de Miranda eleja um novo", disse à imprensa, antes de acrescentar que não é segredo para ninguém sua "aspiração" a ser presidente.

Capriles pediu aos venezuelanos para que considerem sua inabilitação como "mais uma razão" para irem às ruas em protestos contra o governo do presidente Nicolás Maduro.

"Nós temos prevista uma mobilização para amanhã (sábado). Aqui sobram as razões para se mobilizar. Vamos sair, nos mobilizar, vamos defender nossa Constituição, vamos defender nosso país", afirmou.

Anteriormente, Capriles foi informado em mensagem pelo Twitter que havia sido inabilitado pela Controladoria-Geral da Venezuela por um período de 15 anos.

O governador acusou então o governo do presidente Nicolás Maduro de querer inabilitá-lo para assim "escolher qual é a oposição na Venezuela".

A inabilitação sobre Capriles o impede de exercer "funções públicas" e, por sua vez, representa uma "ruptura ou dissolução de todo vínculo laboral que possa existir com órgãos da Administração Pública", neste caso com o governo.

Segundo a resolução da Controladoria-Geral, divulgada por Capriles aos veículos de imprensa, o dirigente opositor aceitou doações, contratou sem licitar e não apresentou o projeto de lei de orçamento do ano 2013 de seu governo.

Perante a decisão da Controladoria, o opositor adiantou, sem maiores detalhes, que vai a "cumprir todos os procedimentos que estão estabelecidos", embora não revelou se recorrerá da inabilitação.

Por outro lado, Capriles, que foi duas vezes candidato à presidência da Venezuela, anunciou que se declara em campanha, "não como candidato, mas para mudar toda a Venezuela", por isso pediu "permissão" e "apoio" dos colegas de trabalho e cidadãos para percorrer "cada um dos cantos" do país.

A inabilitação de Capriles ocorre em meio a uma tensa relação entre os poderes da Venezuela, especificamente entre o Legislativo e o Judicial.

A Assembleia Nacional (AN, parlamento) acusa o Supremo de ter dado um golpe de Estado ao retirar suas funções em uma sentença que, dias depois, foi parcialmente suprimida.

Também ocorrem depois que o partido de Capriles, o opositor Primeiro Justiça (PJ), assinalou há umas semanas que o governador seria o candidato às primárias da oposição nas próximas eleições presidenciais, previstas para finais de 2018. EFE