“Cara e coragem”, na vida real, a profissão de dublê de ação pode afetar a saúde do coração; entenda

A novela da TV Globo "Cara e Coragem" está trazendo momentos de muita ação e tensão em suas cenas. A trama tem entre seus personagens principais Pat (Paola Oliveira) e Moa (Marcelo Serrado), que atuam como dublês profissionais e que vivem histórias de muitas aventuras e emoções juntos. Mas, e como fica o coração dos aventureiros? Dublês e pessoas que têm como profissão atividades radicais estão mais sujeitas a problemas de saúde?

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O cardiologista José Perrota Filho, membro da equipe de Cardiologia do Hospital São Vicente de Paulo (RJ), alerta para as consequências do estresse em pessoas que têm uma profissão de alto risco onde estão constantemente submetidos a momentos de tensão.

— Situações extremas podem provocar a hipertensão e aumenta o risco de arritmias cardíacas e doenças coronarianas, pois o estresse aumenta a liberação de hormônios e de citocinas, que são substâncias inflamatórias que aceleram a ateroesclerose e outros mecanismos que fazem a pressão cardíaca subir. As doenças cardiovasculares estão muito relacionadas ao estresse. Existem alguns estudos que mostram que ele pode ser responsável até por doenças neurológicas degenerativas como as demências, além de outros problemas, sobretudo endocrinológicos — explica o especialista.

Assim como os personagens da novela, Bruno Santana, de 32 anos, que também é dublê profissional há 15, vivência diariamente momentos com altas doses de adrenalina e ação. Sua rotina de trabalho é recheada por cenas com saltos, rapel, voos, alta velocidade e fogo. A todo momento o ator está submetido a situações que o colocam em momentos de forte tensão e adrenalina.

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— Tem sempre um frio na barriga antes de entrar em cena, é sempre uma aventura nova. Em um dia eu posso fazer um carro capotar, pular do 11° andar de um prédio ou pegar fogo. Mas temos toda uma preparação antes, uma equipe médica e bombeiros nos locais, isso traz mais segurança. É uma preparação bastante específica, porque é realmente um trabalho muito arriscado. Dublês são o coração do entretenimento brasileiro — diz o ator que também trabalha na formação de dublês de ação.

As atividades que submetem o profissional em situações de perigo são inúmeras, e assim como Santana, o surfista profissional Gabriel Sodré, de 38 anos, vive desde os seus 18 anos com os turbilhões de sentimentos e emoções profissionais. Acostumado a surfar grandes ondas, já passou por diversos países ao redor do mundo e para cada um dos mares aos quais entrou, se viu em um desafio diferente. Sodré precisa lidar constantemente com a força da natureza, o que considera ser um fator que lhe coloca em uma alta carga de tensão e estresse diariamente, assim como requer muito preparo física por parte do atleta.

— Eu vivo em uma constante preparação, por lidar com uma forma de trabalho que está muito ligada a natureza. Não temos somente o estresse da preparação anterior, trabalhar pegando essas ondas enormes e com uma força natural como é o mar, coloca uma carga de estresse e tensão extra em tudo. Você não relaxa muito, fica o tempo inteiro focado em alguma coisa, pensando no que pode acontecer.

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Apesar de os profissionais dizerem que a experiência adquirida ao longo dos anos e a confiança no seus trabalhos antes de entrar em ação é o que traz a sensação de segurança, o tanto Bruno quanto Gabriel sabem que suas atividades têm diversos riscos e já sofreram acidentes ao longo de suas carreiras.

O ator e o surfista consideram que a preparação física e psicológica são peças fundamentais em seus resultados e principalmente com a forma que eles lidam com os momentos de cobranças, medo e estresse aos quais são submetidos diariamente, os dois tem plena consciência dos riscos ao quais estão expostos na rotina de trabalho, mas escolheram fazer o que realmente amam.

O cardiologista faz um ressalta sobre as condições de quem escolheu viver profissões que são arriscadas e sobre como seu corpo reage aos momentos não tão convencionais.

— Cada pessoa lida de uma forma diferente com o estresse e situações de tensão. Às vezes, a pessoa é tão feliz fazendo este trabalho, que nem sente medo. O estresse, para ele, pode ser causado por uma questão familiar, por exemplo e o trabalho, por mais radical que seja, serve como um escape, faz com que ele esqueça dos próprios problemas — considera José Perrota Filho.

A dica do especialista para dublês e amantes de aventuras radicais para que possam curtir com saúde e alegria a ação extrema é que tenham um ótimo condicionamento, com nível de atividade física adequado aos desafios que desejam enfrentar.

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