As características das mulheres com cromossomos XY

A sul-africana Caster Semenya em Montreuil, 11 de junho de 2019

Apresentado pela Federação Internacional de Atletismo (Iaaf) como uma forma de proteger a igualdade na categoria feminina, o novo regulamento combatido pela atleta sul-africana Caster Semenya afeta as mulheres com algumas características biológicas pouco frequentes e muito concretas.

Geralmente, as mulheres nascem com um par de cromossomos XX e os homens com cromossomos XY. Contudo, "alguns homens nascem com XX (...) e algumas mulheres com XY devido a uma mutação do cromossomo Y", explica a Organização Mundial de Saúde (OMS).

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As mulheres XY apresentam uma diferença de desenvolvimento sexual (DDS), da qual existem diversas formas.

Para ser afetada pelo regulamento da Iaaf, uma atleta precisa ser XY, produzir mais testosterona que o normal e ter um dos cinco tipos de DDS identificados pela Iaaf. Entre eles, o déficit em 5α-reductasa de tipo 2 (abreviado de 5-ARD), longamente debatido por especialistas das duas partes no Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) durante o estudo do 'caso Semenya'.

As pessoas 5-ARD não têm ovários, mas sim testículos localizados dentro do abdômen, de onde produzem testosterona. Mas podem ter órgãos genitais femininos.

A testosterona é o principal hormônio identificados em exames realizados pela Iaaf. Uma taxa elevada daria, segundo a entidade, uma vantagem injusta a uma atleta.

Presente tanto em homens como em mulheres, a testosterona começa a fazer efeito no corpo humano a partir da puberdade para aumentar o tamanho dos ossos e músculos, além de aumentar a força e taxa de hemoglobina no sangue.

Na maioria das mulheres, a taxa de testosterona é de 0,06 a 1,68 nanomols por litro de sangue, distante das taxas observadas na maioria dos homens (entre 7,7 e 29,4 nmol/l).

Nem todas as mulheres que apresentem taxas de testosterona elevada serão afetadas pelo regulamento. Algumas mulheres com cromossomos XX podem ter uma taxa de testosterona alta devido a certos síndromes.

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