Caravana de migrantes para à espera de negociação com autoridades mexicanas

A caravana de milhares de migrantes em situação ilegal com a intenção de chegar aos Estados Unidos fez uma pausa nesta quarta-feira (8), à espera de negociar com autoridades migratórias salvo-condutos que lhes permitam seguir a marcha.

"Vamos para a fronteira norte! Vamos com carteira (migratória), sem carteira, com ônibus, sem ônibus, como quiserem", disse à multidão o ativista Luis García Villagrán, do Centro de Dignificação Humana, que acompanha a mobilização.

Os migrantes, majoritariamente venezuelanos, muitos com famílias completas, instalaram um acampamento improvisado em quadras de basquete da comunidade de Huixtla (estado de Chiapas, sul).

É sua primeira parada após 40 km de trajeto desde que saíram de Tapachula (na fronteira com a Guatemala), na segunda-feira passada.

Esta cidade se tornou um gargalo para as dezenas de milhares de ilegais procedentes da América Central, pois o Instituto Nacional de Migração (INM) ficou sobrecarregado para entregar-lhes vistos temporários.

Os migrantes tentam pressionar as autoridades para que lhes concedam estas permissões - vigentes por um mês - e poder recorrer o México sem medo de ser deportados.

Segundo García, os viajantes já receberam ofertas do INM para conseguir os documentos.

"Estão começando a dar a eles vistos humanitários", disse o ativista, informando, no entanto, que o processo avança lentamente.

Uma fonte do INM confirmou à AFP sob a condição do anonimato por não estar autorizada a declarar, que iniciaram os trâmites para entregar permissões migratórias por 30 dias.

A multidão, que avança levando seus poucos pertences fugindo da pobreza e da violência em seus países, se mobiliza em um momento em que a cidade americana de Los Angeles sedia a Cúpula das Américas, que tem em sua agenda o problema migratório.

Consultado nesta quarta-feira sobre os cerca de 30.000 militares e guardas nacionais que, segundo ONGs e fontes oficiais, estão mobilizados nas fronteiras norte e sul para controlar os fluxos migratórios, o presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, disse que é "normal" e que "não há um plano especial" neste momento.

López Obrador acrescentou que se reunirá com seu chanceler, Marcelo Ebrard, depois que voltar da cúpula "para analisar o tema migratório".

O presidente se recusou a participar da cúpula regional em repúdio à exclusão dos governos de Cuba, Nicarágua e Venezuela e enviou seu chanceler no lugar.

Na terça, os Estados Unidos anunciaram novos compromissos de investimento privado de quase dois bilhões de dólares na América Central para frear a migração irregular, um tema central da cúpula.

- Até de muletas -

Viajam em caravana cerca de 11.000 pessoas, segundo a Comissão Nacional de Direitos Humanos. Entre elas, destacam-se cerca de 70 portadores de deficiência.

Apoiado em muletas após perder uma perda em um acidente de trânsito, o venezuelano Julio Andrade, de 43 anos, sonha em chegar aos Estados Unidos.

"Por um futuro melhor porque a situação no meu país está muito feia, não tem emprego, segurança, nem remédios. Tenho muita força para continuar porque a deficiência não impede nada. Tudo está na mente", assegurou à AFP.

Os venezuelanos marcam o ritmo, às vezes entoando seu hino nacional, ou com Villagrán fazendo ironias sobre o presidente Nicolás Maduro, que são festejadas com assobios e agitação.

Viajam com a expectativa de receber um tratamento especial dos Estados Unidos, que desconhecem Maduro como governante, embora algumas medidas que Washington anunciou só beneficiam quem já está em solo americano.

"Não queremos ficar aqui (...), estamos de passagem. Então, não entendemos por que (...) aqui está difícil", disse a venezuelana Gleidys, de 29 anos, sobre as restrições do governo mexicano.

Segundo a agência da ONU para os Refugiados, mais de seis milhões de venezuelanos saíram de seu país, mergulhado em uma profunda crise econômica e política.

As caravanas de migrantes que percorreram o México em 2018 e 2019 provocaram fortes tensões com os Estados Unidos, então governado pelo republicano Donald Trump.

Desde então, o México reforçou o controle na fronteira sul e em 2021 foram detidos 307.679 migrantes.

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