Cardeal acusado de fraude clama inocência e revela acordo para libertar freira colombiana

(Arquivo) O cadeal italiano Angelo Becciu no Vaticano (AFP/ANDREAS SOLARO) (ANDREAS SOLARO)

O cardeal Angelo Becciu, o primeiro prelado a comparecer ante o tribunal penal do Vaticano, se defendeu nesta quinta-feira (5), em audiência de julgamento por fraude financeira, e revelou um suposto acordo secreto aprovado pelo papa para libertar uma freira colombiana sequestrada no Mali.

Durante duas horas e meia, o cardeal italiano de 73 anos negou as "acusações totalmente infundadas" contra si na Justiça penal do Vaticano, onde dez pessoas estão sendo julgadas, desde julho de 2021, por fraude, desvios, abuso de poder, lavagem de dinheiro, corrupção e extorsão.

No centro do julgamento está a aquisição de um edifício famoso em Londres como parte das atividades de investimentos da Santa Sé, cujo patrimônio imobiliário é considerável.

Becciu, que foi destituído e privado dos privilégios de cardeal pelo papa Francisco em setembro de 2020, negou qualquer uso imprudente do óbolo de São Pedro, a grande arrecadação anual de doações dedicada às ações de caridade do papa.

"Não foram utilizados recursos do óbolo, mas da Secretaria de Estado", disse, ao se referir ao governo central da Santa Sé, garantindo que "seguiu as práticas" de seus antecessores e destacando a "confiança" depositada em seus colaboradores.

No fim de janeiro, o Vaticano confirmou que havia vendido o edifício de 17.000 m² do número 60 da Sloane Square, no luxuoso bairro de Chelsea, cuja aquisição a um preço inflado e com uma hipoteca oculta manchou gravemente a sua reputação.

Ademais, Becciu afirmou que o papa tinha dado o seu aval para realizar uma transação de um milhão de euros para libertar a freira colombiana Gloria Cecilia Narváez, libertada em outubro de 2021 após passar mais de quatro anos em cativeiro no Mali, em poder de um grupo vinculado à Al Qaeda.

Apesar de não ter especificado se um regate foi efetivamente pago, essa revelação colocou em evidência a utilização dos serviços de uma empresa de segurança do Reino Unido, graças, sobretudo, à intermediação da italiana Cecilia Marogna.

Também acusada no processo, Marogna afirmara que prestou serviços para o cardeal para realizar atividades de inteligência destinadas a obter a libertação da religiosa sequestrada, e recebeu 575.000 euros da Secretaria de Estado em uma conta na Eslovênia.

Becciu, por sua vez, negou veementemente os relatos de que manteve uma relação com Marogna, apelidada de "a dama do cardeal" pela imprensa italiana.

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