Cardeal acusado de pedofilia é inocentado por Supremo Tribunal na Austrália

George Pell foi inocentado

RIO — O cardeal australiano George Pell, de 78 anos, que já foi um dos sacerdotes mais poderosos do Vaticano, será libertado da prisão nesta terça-feira, após ser absolvido pelo Supremo Tribunal da Austrália de cinco acusações de abuso sexual de dois coroinhas de 13 anos.

A decisão judicial foi tomada por haver um "benefício da dúvida" sobre as acusações. Pell, então, foi inocentado na Semana Santa, a mais importante do cristianismo, em um tribunal vazio, diante da restrição à aglomeração de pessoas diante da pandemia do coronavírus.

O ex-secretário de Economia do Vaticano foi condenado em março de 2019 a seis anos de prisão por violência sexual contra dois adolescentes em 1996 e 1997 na Catedral de St Patrick, em Melbourne, da qual ele era arcebispo.

Em dezembro de 2018, um júri condenou Pell por esses crimes, e a sentença foi confirmada por um painel de três juízes do Tribunal de Apelação do Estado de Victoria em agosto passado.

Na terça-feira, o Tribunal Superior de Brisbane da Austrália decidiu que "havia uma possibilidade significativa de uma pessoa inocente ter sido condenada porque as evidências não estabeleceram sua culpa de acordo com o nível de evidência exigido".

Os sete magistrados do Supremo Tribunal estabeleceram por unanimidade que o tribunal de primeira instância "falhou em discutir se havia uma possibilidade razoável de que o crime não tivesse sido cometido; portanto, deveria haver uma dúvida razoável sobre a culpa".

Em nota divulgada após a decisão judicial, o cardeal afirmou: "Eu não quero que minha absolvição aumente a dor e a amargura que muitos sentem; é claro que há dor e amargura suficientes".