Cargos do PL na prefeitura e eleição motivaram rompimento entre Paes e vice-prefeito do Rio

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RIO — Brigas entre o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), e o presidente do diretório estadual do PL, Altineu Côrtes, motivaram a exclusão do vice, Nilton Caldeira (PL), do principal grupo de WhatsApp da prefeitura. Além de Caldeira pertencer ao partido do governador Cláudio Castro, que tenta a reeleição, enquanto Paes apoia a candidatura de Felipe Santa Cruz (PSD), as divergências com o PL têm como pano de fundo acordos não cumpridos para indicações de cargos. O ambiente entre eles, que já não era bom, piorou no último sábado, quando Caldeira, que não vinha sendo convidado para as reuniões com o secretariado há dois meses, foi surpreendido com a saída repentina do grupo.

De acordo com pessoas ligadas ao PL, a aliança entre os dois partidos, firmada em 2020, era condicionada a indicações para cargos nas secretarias de Esportes, Meio Ambiente e Habitação, além de nomeações na Rioluz e na estrutura da vice-prefeitura. O acordo teria sido quebrado pouco depois da vitória nas urnas, quando Paes escolheu Guilherme Schleder para assumir a pasta de Esportes e Eduardo Cavaliere para o Meio Ambiente. O prefeito chegou a nomear Caldeira na Secretaria de Habitação, de onde o tirou depois de um mês, por reclamações sobre o esvaziamento do orçamento disponível. O ambiente piorou no último ano, quando o presidente Jair Bolsonaro e o governador Cláudio Castro migraram para o PL.

Com projetos distintos e com Castro tentando o governo, Paes teria ficado impedido de tentar o Palácio Guanabara, já que caso abdicasse do cargo deixaria a prefeitura nas mãos do grupo político de Bolsonaro. Paes tentou tirar o aliado de seu caminho com uma indicação para uma vaga de conselheiro no Tribunal de Contas do Município (TCM), o que foi rejeitado pelo PL. Diante da negativa, a ingerência de Caldeira sobre as decisões da Prefeitura foi ainda mais reduzida, com a retirada do seu nome das listas de convidados para reuniões do secretariado. "Se Caldeira faz parte de outro projeto político não há motivos para dar a ele protagonismo na Prefeitura", diz um aliado de Paes.

No último sábado teria chegado aos ouvidos do prefeito a série de reclamações feitas por Altineu Côrtes a aliados e, em resposta, Paes retirou Caldeira do grupo onde estão reunidos secretários e presidentes da maioria das empresas vinculadas. Com a retirada do grupo, o vice-prefeito também perdeu acesso às informações sobre o andamento do governo.

Em reação, Caldeira disse que vai usar o que a lei lhe permite para governar segundo os interesses do PL, já que assume a Prefeitura quando Paes não está na cidade. “Não terá mais nada combinado. Ele não combina comigo, eu também não preciso combinar com ele. Vai ser da cabeça do nosso grupo político. A lei me faculta isso. Na ausência do prefeito, quem assume é o vice. E eu estou vivo”, afirmou, segundo a coluna de Berenice Seara.

“Esta atitude desrespeitosa não foi só comigo, mas, com o PL. Sou um dos fundadores e atual presidente municipal da sigla, as atitudes que não considero corretas do Eduardo comigo, na verdade, não vem de agora. (...) Falta de educação e soberba não combinam comigo, e se ele é assim, realmente não podemos mais sentar à mesma mesa”, completou Caldeira, em nota oficial.

Já na tarde deste domingo, o prefeito do Rio se desculpou por ter retirado Caldeira do grupo, chamou-o de “uma figura elegante e querida” e disse ter sido "deselegante'' com a atitude. "O vice-prefeito é uma figura elegante e querida. Fui deselegante ao tirá-lo do grupo de WhatsApp. Já me desculpei pela indelicadeza", disse Eduardo Paes, em nota.

Ao GLOBO, Côrtes afirmou que não houve um estopim para que Paes decidisse retirar Caldeira do grupo, mas que foi um “conjunto de coisas pequenas”. O presidente do PL no Rio também criticou o que chamou de “falta de respeito” do prefeito com o partido e com Nilton Caldeira.

— Eduardo faz o que já fez na vida política, não honrar os compromissos que já assumiu conosco. Essa falta de respeito já vem de longa data. Ele não cumpriu os compromissos com o partido e hoje trata todo mundo com arrogância e prepotência — disse Côrtes.

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