Cariocas adaptam rituais de Ano Novo; veja o que já foi proibido na orla

Felipe Grinberg
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Foto: ROBERTO MOREYRA / Agência O Globo

Estamos chegando ao fim do ano e os clássicos versos “Saúde para dar e vender” nunca representaram tão bem um dos principais pedidos para 2021. A sensação da mudança do calendário traz esperança em meio a uma pandemia que já matou mais de 25 mil pessoas só no Rio de Janeiro.

Um ano tão atípico não poderia acabar, é claro, da forma habitual. A noite da virada, tradicional na cidade, não contará com shows ou fogos de artifícios. Pela importância da prevenção, muitos trocaram o clima festivo à beira-mar pelas próprias casas.

Devotos e filhos de Iemanjá, divindade de religiões de matriz africana, já planejam não ir às praias na noite da virada para evitar aglomerações. A cantora Branka, que passa, há quase uma década, a virada do ano perto das águas, é um exemplo.

Ela costumava ir à Praia de Copacabana. Mas, dessa vez, ela e o marido, o músico Carlinhos Sete Cordas, irão adaptar o ritual. Os dois montavam um pequeno barco de madeira e o colocavam nas ondas. Agora, vão ficar com a família, no quintal de casa, em Santa Teresa, no Centro do Rio; e o barquinho atracará lá:

“Temos muitos amigos que ainda vão se arriscar nas praias, mas eu e meu marido decidimos fazer um pouco diferente. Junto com a mesa, vamos fazer um altar, com esse barco, o espelho, as palmas, tudo para Iemanjá, para que possamos fazer nossos pedidos, desejos e agradecimentos. No dia seguinte, quando não tiver aglomeração, vamos à praia, cedinho.”

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Neste fim de ano, a correria pelo presente de última hora foi menor, mas deu lugar a outra. Muitos cariocas, que irão passar a virada com amigos e familiares em casa, se apressaram para conseguir um teste de Covid-19.

A clínica Villela Pedras registrou na última semana um aumento de 600% na procura por teste nasal — parecido com o PCR, mas com resultado quase instantâneo — de Covid-19. Para realizar o teste, que custa R$ 260, no posto rápido na Barra da Tijuca, não é necessário um atestado médico. Sem essa necessidade, filas de carros têm se formado no local.

— O resultado não é atestado de liberdade dos cuidados. Mas é uma forma de identificar os assintomáticos positivos. Nessas últimas semanas percebemos que um público mais jovem tem procurado realizar os testes. Infelizmente, alguns querem participar de festas grandes — conta Marcos Villela Pedras, médico e sócio-diretor da clínica.

Copacabana terá esquema especial

O médico Marcos Villela Pedras aproveita para dar dicas para quem for se reunir no réveillon:

— Estamos com medo de no mês que vem essa onda não terminar e até aumentar por causa desses encontros. Então prefira pequenas reuniões, em ambientes abertos, e só retire a máscara na hora da ceia ou de beber algo. Também é importante não considerar que um sintoma respiratório possa ser rinite ou algo mais leve. Na dúvida, não encontre mais pessoas.

Assim como em outros réveillons, Copacabana terá um esquema especial de trânsito, mas desta vez, para impedir as pessoas de irem à praia se aglomerar. Os detalhes de como será a operação serão divulgados amanhã pelo prefeito em exercício Jorge Felippe, mas já há um consenso com o governo do Estado de que o metrô entre a Central do Brasil e a estação Jardim Oceânico na Barra não irá funcionar a partir das 20h do dia 31.

Equipamentos de som estão vetados

Depois de anunciar o fechamento dos acessos a Copacabana, a prefeitura decretou novas medidas restritivas. A queima de fogos — inclusive pela rede hoteleira — e o uso de equipamentos de som serão proibidos em toda a orla do Rio durante todo o dia 31 até as 6h do dia 1º. O decreto também restringirá o trabalho dos ambulantes e de barraqueiros das praias.

— Temos que buscar, acima de tudo, a preservação da vida e da saúde, ninguém desconhece a gravidade da Covid-19. Isso exige dos homens públicos medidas austeras e, com certeza, vamos encontrar por parte da população a solidariedade e a responsabilidade necessárias para que possamos evitar o aumento do contágio — disse o prefeito em exercício, Jorge Felippe.

Mudanças nos destinos mais procurados

Dados da Associação de Hotéis do Rio mostram que Copacabana perdeu nas últimas duas semanas 25% do número de reservas feitas para a virada. A Barra da Tijuca tem sido um dos destinos preferidos. Os hotéis do bairro registraram aumento de 15% de reservas nas últimas duas semanas. A Região dos Lagos teve uma grande queda nas reservas. Destinos considerados de mais tranquilidade estão sendo mais buscados. É o caso de Itatiaia, que passou de 90% de ocupação de hotéis para 95%

DJ Cristal teve os planos alterados. No último réveillon, virou o ano a trabalho, em uma festa, em Búzios. Agora, ela abriu mão de eventos para evitar riscos.

— Esse ano vou poder curtir minha família.