Cariocas aproveitam postos de vacinação em Copacabana para completar imunização antes de 2022

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RIO — Passando por Copacabana, Diego Bento, de 34 anos, viu a estrutura armada e aproveitou para tomar a segunda dose da vacina contra a Covid-19, que foi adiada por causa de um grave quadro de pneumonia. Já recuperado, felizmente, tem algo a mais para comemorar neste fim de ano.

Ele chegou no posto montado na altura da Avenida Princesa Isabel com as duas filhas, Melissa e Alice, de 11 e 5 anos, respectivamente. Elas ainda não têm idade para se vacinarem, mas viram o pai se imunizar.

— Pra mim, é importante essa vacinação. E mais importante ainda, porque, por ser na praia. Muita gente passa, vê e adere — diz ele, que já adianta que vai levar a filha mais velha para se imunizar assim que possível.

E complementa:

— Foi ótimo o atendimento. Como deve ser a saúde. E todo mundo quer viver, não é? Tem que ser bem tratado. E aqui fui tratado super bem.

Morador da comunidade Chapéu Mangueira, no Leme, bairro vizinho de Copacabana, ele nem pretende sair de casa para aproveitar a virada.

— Posso morar na favela, mas o quintal é de luxo. Da minha janela, vejo a queima de folgos perfeitamente.

Diego perdeu o tio ao longo da pandemia de Covid-19 e ainda foi demitido do emprego. Ao longo dos últimos meses, tem feito entregas por aplicativo para se manter. Mas uma boa notícia chegou neste fim de ano: após um processo seletivo, foi aprovado para trabalhar no bar de cruzeiro, no qual ficará embarcado seis meses.

— E ganhando em dólar, o que é melhor ainda — acrescenta ele. — Só vai ser difícil para ficar longe das filhas, que vão ficar morando direto com a mãe em Campos (dos Goytacazes).

No posto da Praça do Lido, a adesão oscilava, mas com parecer positivo. De acordo com a equipe da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) que estava no local, das 12h, horário de abertura, às 14h, ocorreu um pico, no qual a fila não esvaziava.

Depois, o número de pessoas foi chegando em períodos mais espaçados de tempo. Ainda segundo os funcionários, teve casos de primeira e segunda doses, mas a grande maioria tomou a de reforço.

Foi o caso da decoradora Maria da Graça Alves, de 55 anos. Ela soube do posto e aproveitou o dia de folga para reforçar a imunização. A virada de ano novo dela vai ser só com o marido, no apartamento do casal, no Catete. E, mesmo assim, com muito a agradecer, diz ela.

— Ficar em casa com a família e estar vacinada, graças a Deus. Não tivemos nenhum caso na família, e vamos comemorar, principalmente, para que isso passe logo e que nossas vidas voltem ao normal — diz a decoradora, que logo após a vacinação classificou o serviço como “prático e rápido”.

A técnica de enfermagem Izete Pereira, de 60 anos, aproveitou o posto na altura da República do Peru para tomar a dose de reforço contra a Covid-19. Moradora de Copacabana há 26 anos, ela vai passar a virada apenas com a irmã, mas a familia é grande: são mais sete irmãos, cunhados e cunhadas e onze sobrinhos.

— Aqui a gente mantém tudo em dia (em relação às doses da vacina)! — celebra ela.

E há um motivo a mais para celebrar: a família cresceu. Ela ganhou dois sobrinhos-netos, um em agosto e outro em outubro, e tem mais um a caminho, com previsão para o final de janeiro:

— Só uma irmã minha (estava enrolando com a vacinação). Mas se imunizou logo para conhecer os netinhos novos.

Para o prefeito Eduardo Paes, a vacinação é a principal forma para conter avanços da doença. Além disso, ele recomenda celebrações ao ar livre, mais seguras, segundo ele, em vez de festas realizadas em ambientes fechadas. Ele esteve na Praia de Copacabana na manhã desta sexta-feira, quando cariocas e turistas já ocupavam as areias:

— Temos aumento de testes positivos para Covid-19 e isso demanda ainda mais atenção da gente. Nosso principal foco é: vacinem-se e tomem a dose de reforço, desde que seja elegível para isso. Se tiver com sintomas, faça o teste, preserve os outros. Na dúvida, evite sair e celebrar Busque comemorar sozinho. Esse momento ruim parece estar chegando ao final, então é aguentar mais um pouco. É mais seguro celebrar ao ar livre do que em locais fechados.

E complementa:

— Não podemos esquecer a doença que matou tanta gente desde que ela surgiu. Tantas vidas perdidas. Aliás, hoje é dia de lembrar essas vidas. Mas, precisamos enfrentá-la com altivez e esperança. 2002 será um ano muito melhor.

Paes também não descartou, caso os números de casos voltem a crescer, exigir a obrigatoriedade de máscaras de proteção facial em ambientes abertos. O uso do item deixou de ser obrigatório na cidade desde o fim de outubro.

— O comitê científico vai dizer o que tenho que fazer. Vamos tomar decisões ao longo da semana que vem. Vou aguardar, ver o que eles decidem. Não tem decisão anunciada para hoje (sexta-feira). Hoje é dia de celebração.

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