Cariocas e turistas acampam na praia para acompanhar festa da virada de ano

Geraldo Ribeiro
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Tatiane, Thiago, Luiz Fernando e Letícia, moradores de Santa Cruz acamparam na praia

Vale tudo para garantir um espaço privilegiado na festa da virada de ano em Copacacabana, até acampar na areia. Principalmente para quem mora longe. Por volta do meio dia desta terça-feira dezenas de barracas de praia e de acampamento se destacavam no trecho próximo ao palco principal da comemoração do réveillon, na altura do Copacabana Palace, onde eram feitos os testes de som, a partir do começo da tarde.

Dois casais de amigos vindos de Santa Cruz, na Zona Oeste da cidade, escolheram um espaço na areia a cerca de 200 metros do palco para montar o seu acampamento. Protegidos do sol por uma imensa barraca de praia, os quatro só pretendem ir embora no dia seguinte, após os festejos.

O quarteto saiu de carro de casa ainda no começo da madrugada, para não enfrentar engarrafamento. O grupo levou um grande isopor carregado de cerveja, água mineral, refrigerante e muito sanduíche natural, para aguentar o tranco. Para o almoço pagaram por quentinhas, a R$ 10, cada, compradas na praia.

— O sacifício compensa. Ver uma festa tão linda como essa não tem preço. Apesar de tudo, o Rio ainda continua sendo uma cidade maravilhosa — garante o pintor Thiago Pessoa Silva, que levou com ele a esposa Tatiane Andrade, de 27.

É a primeiro réveillon do casal nas areias de Copacabana. Os amigos do casal Luiz Fernando de Abreu, de 20 anos, que está desempregado, e a mulher dele Letícia Veiga, de 17, também são marinheiros de primeira “virada”.

— A expectativa é muito grande — disse Luiz Fernando, que é fã de Ferrugem, uma das atrações do palco principal, nesta noite.

Em outro trecho da praia quem montou acampamento, literalmente, foram as amigas Jamilly dos Santos Bastos, de 37 anos, e Elaine dos Santos Silva, de 26 anos, cada uma com dois filhos. Elas estão na praia há três dias e explicaram que a barraca é para as crianças, que tem idades entre 10 meses e 5 anos. ]

Jamilly é baiana de Ilheus e passa o réveillon no Rio pela segunda vez, ao lado da amiga de Nova Iguaçu, que conheceu na praia, da vez anterior que esteve no Rio. Elas aproveitam para garantir um trocado vendento refrigerantes e cigarro.

— O dinheiro que eu conigo com as vendas ajudam a garantir a passagem de volta para Ilhéus — assegurou Jamilly.

Quem também aproveita a festa de réveillon para ganhar um dinheiro extra é o pescador Cláudio Montilho Rodrigues, de 46, há 20 na colônia Z-13, no fim de Copacabana. Um casal chinês pagou R$ 1 mil pelo seu barco, como noticiou o colunista Ancelmo Gois, de O GLOBO. Mas, a embarcação não vai zarpar. A intenção dos clientes do pescador é desfrutar de um local privilegiado e mais seguro para acompanhar a queima de fogos, na areia.

— Vamos estar por aqui dando apoio e tomando conta para que tudo corra bem e eles possam curtir em paz — prometeu o pescador que espera com o dinheiro que vai ganhar recuperar parte do prejuízo de cerca de R$ 2 mil com as redes que ele tinha acabado de comprar e foram roubadas há menos de uma semana.

Ele contou ainda que vai improvisar uma mesa para o casal, com água e refrigerantes. Cláudio disse que é comum as pessoas procurarem os pescadores com ofertas para alugar o barco para as mais diferentes finalidades. Porém, por questões religiosas, a única que ele recusa é levar oferenda para o mar.